Governistas armam estratégia

Governistas armam estratégia

postado em 02/03/2016 00:00
 (foto: Sean Rayford/Getty Images/AFP)
(foto: Sean Rayford/Getty Images/AFP)



Antes mesmo da rodada de fogo da Superterça, ainda sob impacto das primárias republicanas na Carolina do Sul e em Nevada, estrategistas de campanha de Hillary Clinton começavam a examinar seriamente a perspectiva de uma disputa presidencial entre a ex-secretária de Estado e Donald Trump, o magnata dos hotéis e cassinos. Visto de início como um adversário ;fácil;, por suas declarações destemperadas sobre imigrantes, mulheres e minorias, Trump se aproxima, a cada passo da corrida à Casa Branca, do retrato pintado por ninguém menos que o ex-presidente Bill Clinton, um especialista em desmentir profecias eleitorais. Hoje, a cúpula democrata reconhece no provável rival de novembro um ;franco-atirador;, capaz de ;captar o ânimo do eleitorado; e de apresentar-se como alternativa aos ;políticos de Washington;.

;Ele é formidável: entende o sentimento dos americanos e não vai ter compaixão com Hillary;, admitiu o governador de Connecticut, Dannel Malloy, citado como possível candidato a vice em uma chapa liderada pela ex-primeira-dama, em reportagem do jornal The New York Times. ;Eu passei da rejeição pura e simples para a admiração. Antes, eu pensava: ;Não acredito que alguém dê ouvidos a esse cara;. Agora, reconheço que ele tem sido capaz de captar as angústias dos eleitores.;

Tanto o NYTimes quando o Washington Post sondaram os estrategistas democratas e chegaram ao mesmo resultado: eles começam a temer o desenrolar de uma campanha fundamentalmente agressiva e negativa tendo como oponente um ;não político; que parece ter o dom de expressar o descontentamento de uma parcela do eleitorado que tem sido fiel aos democratas nas últimas décadas: a classe operária branca, castigada pela crise econômica e pronta a ver na mão-de-obra barata dos imigrantes ilegais o vilão responsável pelo desemprego.

Atento à movimentação dos adversários, Trump também se antecipa na discussão sobre a eleição de novembro e ameaça surpreender os democratas em redutos tradicionais, como Nova York e o estado industrial de Michigan. Geoff Garin, estrategista de Hillary em 2008, quando ela perdeu para Barack Obama a indicação presidencial, acredita que o magnata terá de ser enfrentado ;em dois níveis;. ;O primeiro é a questão do temperamento, da personalidade, do que falta a ele para ser presidente;, analisa. ;O segundo é desmascarar o discurso populista e mostrar que ele está capacitado a ser o campeão apenas dos próprios interesses.;

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