Fla-Flu acirrado nas ruas

Fla-Flu acirrado nas ruas

Movimentos aliados e críticos ao ex-presidente travam disputa de protestos e buzinaços pelo país, e preparam calendário de manifestações até o fim do mês

MARCELLA FERNANDES FLAVIA AYER MARIANA NASCIMENTO Especial para o Correio
postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)
Brasília e Belo Horizonte ; Um dia após a operação da Polícia Federal que obrigou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a prestar depoimento, manifestantes foram às ruas em São Bernardo do Campo (SP) em defesa do petista. Pelo país, também foram registradas manifestações em apoio ao protesto marcado para o próximo dia 13, quando será defendido impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ambos os lados se mobilizam diante da 24; da Operação Lava-Jato, deflagrada na última sexta-feira, que apura o envolvimento de Lula em esquemas de corrupção.

Pela manhã, cerca de 300 pessoas de sindicatos ligados ao PT participaram de ato em frente à casa de Lula em São Bernardo do Campo (SP). Vestidos de vermelho e empunhando faixas e cartazes, eles permaneceram até a chegada de Dilma, no início da tarde. Já a porta da garagem do Instituto Lula, no Ipiranga, zona sul da capital paulista, amanheceu pichada com as seguintes mensagens contra o ex-presidente: ;Luladrão;, ;basta de corrupção; e ;sua hora chegou, corrupto;. A pichação foi coberta por um desenho feito pelo grafiteiro Tody One, de acordo com nota divulgada pelo Instituto.

Na noite de sexta-feira, protesto em Sorocaba (SP) teve episódios de violência. Militantes e políticos ligados ao PT e ao PSDB entraram em confronto. O ex-vereador tucano e ex-petista Arnô Pereira levou um soco na boca. Ele acusou o vereador petista e presidente do diretório municipal do partido, Izídio de Brito, pela agressão. Brito nega. Durante a manifestação, petistas tentaram impedir tucanos de distribuírem adesivos com o desenho de duas mãos algemadas, uma delas sem o dedo mínimo, em uma alusão ao ex-presidente.

Guerra de claques
No Distrito Federal, moradores de Águas Claras fizeram um buzinaço pela manhã de ontem em apoio ao ato do próximo dia 13, contra o PT. Por outro lado, lideranças do PT, PCdoB e de movimentos sociais com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento Sem-Terra (MST), que integram a Frente Brasil Popular, se reuniram no auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal para reforçar a mobilização em defesa do Lula e do mandato de Dilma. Há protestos agendados para os próximos dias até 31 de março, quando se espera que o ex-presidente participe de um ato na capital.

;O que está em jogo é a tentativa da direita de enfraquecer o partido para que, em 2018, Lula não esteja em condições de concorrer à Presidência e seja implementado um novo projeto de governo. Não vamos deixar isso acontecer;, afirmou o presidente do PT no Distrito Federal, Roberto Policarpo, que classificou a operação da Polícia Federal como ;a maior arbitrariedade; da corporação.

Durante a reunião, foram feitas algumas críticas à gestão Dilma, como as medidas econômicas consideradas afrontas aos direitos trabalhistas. ;Queremos um plano de recuperação econômica voltado aos trabalhadores. Vamos exigir também que a presidente pare de falar sobre a reforma da Previdência, algo que só vai ferir direitos dos trabalhadores;, afirmou o deputado distrital Chico Vigilante (PT). Foram criticados ainda projetos de lei em discussão no Congresso que reduzem a participação da Petrobras na exploração de petróleo.

Em Belo Horizonte, entidades sociais e partidos como PT e PCdoB iniciaram uma vigília democrática contra o golpe;. ;Não vamos baixar a cabeça. Não vamos aceitar esse crime contra a democracia brasileira. Aqui, não vai ter golpe;, afirmou a presidente da CUT em Minas Gerais, Beatriz Cerqueira. Já organizadores das manifestações pró-impeachment esperam aumento na adesão aos protestos do próximo domingo. ;Acho que vai passar de 35 mil a 40 mil pessoas;, disse o líder nacional do Patriotas, Syllas Valadão.


;O que está em jogo é a tentativa da direita de enfraquecer o partido para que, em 2018, Lula não esteja em condições de concorrer à Presidência;
Roberto Policarpo, presidente do PT no DF


;Que enfiem no c. o processo;
Um vídeo publicado pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) viralizou na internet ontem ao mostrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltado em uma conversa que aparenta ser sobre o processo aberto contra ele no âmbito da Operação Lava-Jato. ;Eles que enfiem no c... todo o processo;, xinga o petista. Ele foi filmado por Jandira e aparece ao fundo falando pelo telefone com a presidente Dilma Rousseff, segundo a deputada. O registro foi feito ontem, no diretório nacional do PT em São Paulo, horas depois de ter sido conduzido coercitivamente para prestar depoimento por indícios de que ele teria recebido vantagens ilegais de empreiteiras investigadas no esquema de corrupção da Petrobras. Em nota, a deputada condenou ;que usem indevidamente sua imagem ou a do ex-presidente Lula para criar fatos inverídicos e sensacionalistas;.



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