Outra década será perdida

Outra década será perdida

postado em 06/03/2016 00:00

O tombo de 3,8% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 era esperado pelo mercado e confirmou o alerta que vinha sendo dado de que o país caminha para uma nova década perdida. O PIB cresceu apenas 0,1% em 2014. Em 2016, as previsões são que a queda será maior que a do ano passado, ficando entre 4% e 4,9%.

E, para piorar, a economia não deve se recuperar em 2017, quando as estimativas de retração chegam a 2%. Há dúvidas até mesmo se haverá crescimento em 2018. Essas previsões ruins levam em conta o imbróglio político e escândalos de corrupção que contaminaram totalmente o ambiente econômico do país e levaram o país à beira de uma depressão como nunca antes se viu.

Além da questão política, a recessão atual é resultado dos desarranjos na economia orquestrados pela presidente Dilma Rousseff. Desde que assumiu o primeiro mandato, em 2011, Dilma cometeu vários equívocos na condução das políticas monetária e fiscal. Isso garantiu o lugar dela na história como a responsável pelo pior desempenho do PIB em 25 anos e pelo rebaixamento do país por parte das maiores agências de classificação de risco.

Especialistas lembram que o Brasil demorou muito para conquistar o grau de investimento em 2008, principalmente, devido às moratórias da dívida externa nos anos 1980. A estabilidade proporcionada com o Plano Real vem ruindo desde 2010, quando o governo iniciou a gastança desenfreada que desequilibrou as contas públicas. Não à toa, as agências de classificação de risco retiraram o selo de bom pagador porque veem uma ameaça gigantesca no avanço da dívida pública. O consenso é que o país tem um grande caminho se quiser recuperar a confiança do mercado e o crescimento.

;O país perdeu essa conquista em apenas sete anos. Agora, vamos levar muito mais tempo para voltar a ser grau de investimento. Provavelmente, isso só será possível em 2021 ou em 2022;, lamenta a economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada. ;O país agora está no grupo dos junk bonds, a categoria lixo. A percepção de risco é maior. Será mais difícil crescer, pois será mais caro para as empresas e para o governo captarem dinheiro. Isso é um limitador do investimento, um dos motores do crescimento;, alerta.

O economista Ernesto Lozardo, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), prevê queda de 2% no PIB em 2017 e uma leve recuperação na economia a partir de 2018. ;O grande elemento que atrapalha o crescimento hoje é a crise política e ela não se resolve antes das eleições;, avisa.

;Há um sério clima de incerteza e a sociedade está assustada com o que está acontecendo. Por mais que o governo tente mostrar uma resposta, será difícil conseguir apoio político para fazer o que é preciso ser feito;, destaca.

Pelas contas de Alessandra, haverá retomada leve na atividade em 2017, com variação zero no PIB, em 2018, o país voltará ao nível de 2011 em termos nominais. ;Vamos perder sete anos, sem contar a inflação;, resume.(RH)

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação