Aproximação com o Brasil

Aproximação com o Brasil

postado em 06/03/2016 00:00

No campo internacional, o novo governo busca romper o isolamento da Argentina, ao se proximar de grandes economias europeias e dos Estados Unidos. Nos dois primeiros meses do ano, Macri recebeu o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi; e os presidentes da França, François Hollande, e da Bulgária, Rosen Plevneliev. O norte-americano Barack Obama também viajará à Argentina, no fim do mês, na primeira visita de um presidente dos Estados Unidos ao país em quase 19 anos.

Principal parceiro comercial da Argentina, o Brasil percebe que o canal de diálogo entre as chancelarias dos dois países está mais ativo, e os ministros mantêm diálogo acessível e próximo, segundo fonte ligada ao Itamaraty. Em uma demonstração da importância das relações com Brasília, Macri fez questão de que a primeira visita internacional fosse à capital brasileira, destino também da vice-presidente, Gabriela Michetti, que se reuniu com a presidente Dilma Rousseff em fevereiro. As mudanças promovidas pela gestão começam a surtir efeito nas trocas bilaterais. Em fevereiro, as importações de produtos brasileiros tiveram a primeira alta em oito meses, apesar de se manterem abaixo dos termos históricos.

Ainda na área da política externa, Macri anunciou o que pode se tornar a maior conquista dos primeiros meses de mandato: negociou acordo com os fundos especulativos nos Estados Unidos, conhecidos como fundos abutres ; o arranjo pode colocar a Argentina de volta ao sistema financeiro internacional.

Abertura
;Com a decisão de negociar, diferentemente do que optou fazer a presidente Cristina Kirchner, que preferiu isolar o país, Macri passa uma mensagem política de que pretende ter uma economia mais aberta ao mercado e menos populista. Ele tenta restabelecer a normalidade, e isso é muito importante, inclusive para nós, brasileiros, que nos beneficiamos com um parceiro mais forte;, analisa o embaixador José Botafogo Gonçalves. Os termos do acordo precisam ser aprovados pelo Congresso, onde Macri enfrenta oposição ativa dos kirchneristas e busca negociar com moderados. Especialista em integração latino-americana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan destaca que as ações de Macri refletem novo momento político da região, o que facilita ;uma presença americana mais forte; na Argentina e na América Latina como um todo. ;Macri representa um governo mais conservador, que deve ter menos diálogo com a população, o que remete à realidade dos anos 1990;, observa. (GW)

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