Mercado de sorvetes passa longe da crise

Mercado de sorvetes passa longe da crise

» NATHÁLIA CARDIM
postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: Fotos: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Fotos: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)




Nada melhor do que um bom sorvete para refrescar os dias de altas temperaturas. Em Brasília, onde faz calor praticamente o ano inteiro, o sorvete de massa, cremoso e geladinho, é uma das sobremesas que caíram no gosto popular. Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (Abis) revelou que o consumo brasileiro de sorvetes cresceu 90,5% na última década. Entre 2003 e 2014, o número passou de 685 milhões para 1,3 bilhão de litros. A quantidade média degustada por cada brasileiro também registra alta. Somente de 2013 para 2014, aumentou 3,8%.


De acordo com o presidente da entidade, Eduardo Weisberg, os números referentes a 2015 ainda estão sendo consolidados, mas ele adianta que, para um período de crise econômica, o resultado apresentado foi bom. Estima-se que o setor tenha faturado R$ 25,7 bilhões. Para ele, essa ascensão do setor em nível nacional é resultado de muitos fatores, entre os quais, calor acima do esperado, principalmente no Centro-Oeste. Em 2014, as vendas de sorvete na região aumentaram 9,4% em comparação com o ano anterior.

;Esses números devem crescer. Ainda é cedo para confirmar as expectativas, mas essa é uma região em ampla expansão e, por isso, é comum que se consuma cada vez mais;, diz Weisberg. ;Para obter um saldo mais favorável, é necessário apostar em criatividade e inovação, palavra-chave para lidar com o cenário de crise, uma vez que o brasileiro tem visto cada vez mais o sorvete como alimento e é o sexto maior consumidor do mundo;, complementa.

No Distrito Federal, picolés, gelato italiano e sorvetes artesanais dividem a cena com o tradicional sorvete de massa. E, juntos, representam um setor imune aos efeitos das crises econômicas. É o caso de uma sorveteria na 405 Norte. ;Em 2015, registramos um crescimento de cerca de 40% nas vendas;, afirma a proprietária do estabelecimento, Anita de Medeiros, 30 anos. Para ela, outro fator que contribuiu para a alta do setor é a mudança de comportamento do consumidor. ;Existem receitas balanceadas, com elevado valor nutricional. Aquele preconceito de que o sorvete engorda está acabando.;

Irresistível

A gerente de um estabelecimento no Guará 2, Antônia Sousa, 29 anos, diz que, em dias quentes, chega a vender aproximadamente 40 caixas, cada uma com 10 litros.

Localizada na 112 Norte, uma sorveteria tem um trunfo a mais para atrair os consumidores. A marca investe em sorvete artesanal e promete resgatar a tradição do gelato italiano. ;A gente percebe um aumento nas vendas não só por questões climáticas. Muita gente viajou para fora do país nos últimos anos, experimentou o sorvete artesanal e passou a incorporar essa cultura no seu dia a dia;, explica um dos donos do local, Bruno Kzam, 45 anos.

Para o estudante Gabriel Nunes Ferreira, 18 anos, não tem hora certa para saborear a delícia gelada. ;Qualquer hora é hora. O meu sabor preferido é chocomenta. Frequento sorveterias pelo menos duas vezes ao mês;, diz. O casal de namorados Igor Andrade, 20, e Barbara Soares, 19, encontram no sorvete uma alternativa barata para se refrescar. ;Como não é tão caro, acaba não pesando no orçamento. É uma maneira de afastar o calor, comer algo gostoso e pagar pouco;, diz Barbara.

R$ 27,5 bilhões
É o faturamento estimado do setor em 2015


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