A beleza de voar

A beleza de voar

Amor por aves de rapina fez com que um grupo de brasilienses montasse uma associação de falcoaria no Distrito Federal. Investimento inicial é alto, mas manutenção das aves, segundo os criadores, não

BRUNO SOUSA LIMA ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)



;Minha paixão por aves de rapina vem desde a infância. Quando eu estava viajando, eu vi um carcará se alimentando na beira da estrada e aquilo ali fez meu olho brilhar, me fascinou;, lembra o médico veterinário Fabiano Rubem, 35 anos, fundador do DF Hawking Club, única associação de falcoaria do Distrito Federal. Rubem começou a se dedicar à atividade há três anos, quando um cliente disse que criava um gavião. ;Eu pedi para conhecer o animal e, a partir daquele momento, fiquei certo de que queria levar aquilo para frente;, relata.

À procura de mais informação sobre os pássaros, foi até o Rio de Janeiro participar de um curso da Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR), onde conheceu a bióloga Anelize Vendeth. ;A gente teve a ideia de abrir o clube no DF para promover e divulgar a falcoaria. O clube está com aproximadamente sete meses e conta com 30 sócios. Mas a procura está bem grande;, comemora. O veterinário também tem diploma da Associação Nordeste de Falcoaria (ANF).

Dos 30 associados, 15 possuem aves. Os outros pesquisam sobre as espécies comercializadas ou aguardam na lista dos criadouros para receberem os animais. Para participar do grupo, é preciso fazer um cadastro no site. As informações são analisadas antes que o interessado seja aceito. ;A preocupação maior é com aquela pessoa que tem uma ave ilegal e quer entrar no clube. Esse tipo de perfil não é interessante. A gente prioriza a legalidade da falcoaria no nosso clube. Só aves legais, provenientes de criadores. Nada de mercado clandestino;, defende Rubem.

Atualmente, ele tem um falcão quiriquiri, uma coruja da igreja e dois gaviões asa-de-telha ; além de dois gatos e um cachorro. A ave mais bem treinada se chama Atena, uma asa-de-telha de 3 anos de idade. ;Ela era de outro dono. Quando chegou aqui em casa, já tinha 1 ano. Essa espécie é muito boa para ser treinada porque é muito inteligente, além de ser uma ave mais calma;, ressalta a médica veterinária Eslley de Oliveira, 33, mulher de Fabiano. Eslley também cuida dos pássaros e faz parte do clube. ;Eu comecei a gostar de falcoaria por causa do Fabiano. Ele começou a pesquisar e estudar sobre o assunto e eu embarquei na ideia;, conta.

Fabiano treina diariamente as aves em um campo perto de onde mora, em Valparaíso. Ele dedica, em média, 30 minutos de exercícios a cada bicho. Os movimentos misturam acrobacias aéreas com manobras de caça. Para estimular os animais, são usados pedaços crus de codorna ; principal alimento da dieta das aves. Os camundongos também entram no cardápio na época da troca de penas, por serem mais calóricos, e a quantidade de comida aumenta. Além de reunir interessados em aves de rapina, o DF Hawking Club promove palestras sobre falcoaria, aulas de educação ambiental, apresentações e exposições dos pássaros em feiras. O grupo se reúne uma vez por mês para trocar experiências e treinar os animais.

Investimento
Para quem quer começar a praticar a falcoaria, o investimento inicial pode assustar. Em média, os animais comercializados custam R$ 2.100. O designer de interiores Álvaro França, 37, gastou R$ 3.100 para trazer um gavião asa-de-telha de um criadouro do Rio de Janeiro. ;Eu entrei em contato com eles e fiz a reserva em outubro. Ela chegou agora em fevereiro. Veio com toda a documentação, microchipada e com a autorização do Ibama;, destaca. Ele também gastou R$ 1 mil em equipamentos, como a luva especial utilizada nos treinamentos. No entanto, França explica que o custo para manter o animal é baixo. ;Ela come de 30g a 40g de codorna por dia. Uma codorna inteira custa R$ 4,50. Então, sai barato. A gente gasta mais no começo para comprar a ave;, explica.

Atualmente no Brasil, apenas quatro criadouros têm autorização para vender aves de rapina. Eles ficam no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Os interessados devem entrar em contato com os estabelecimentos e ficar em uma lista de espera que pode demorar até um ano. Mas, para quem tem interesse em começar a praticar a falcoaria, a dica é pesquisar sobre os animais e os cuidados que cada ave deve ter antes de realizar a compra. ;A primeira orientação é o estudo. Associar-se a um clube ou associação próxima de onde mora. Estudar. Ver que ave vai comprar, ver se o perfil dela se encaixa dentro da falcoaria;, aponta Rubem.



Atividade milenar
Falcoaria é prática de criar e treinar aves de rapina para a caça. A atividade data de 4.000 a.C. e teria começado no Extremo Oriente, vindo a se tornar popular entre os nobres da Europa medieval e da aristocracia do
Japão feudal.




;A primeira orientação é o estudo. Associar-se a um clube ou associação próxima de onde mora. Estudar. Ver que ave vai comprar, ver se o perfil dela se encaixa dentro da falcoaria;
Fabiano Rubem, fundador do DF Hawking Club


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