Histórias de vida e de trabalho

Histórias de vida e de trabalho

postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)

Manoel Figueira, 67 anos
Quem conhece cada canto do Bloco H da Quadra 402 da Asa Norte é Manoel Figueira, zelador do prédio há 34 anos. A ocupação apareceu por acaso: Manoel veio de Itaocara, no Rio de Janeiro, para a capital federal em busca de emprego, e o trabalho de zelador foi o primeiro que surgiu. ;Nesse tempo todo, vi muita gente crescer, que chegou aqui criança. Aqui no bloco eu cuido de tudo um pouco: fico na guarita, retiro o lixo, faço a limpeza;, conta.

No cômodo do térreo do bloco ele criou os dois filhos e agora têm a companhia dos netos, de 19 e 16 anos. Apesar de morar no local desde que chegou a Brasília, ele afirma que ainda tem vontade de ter uma casa própria. ;Morar no que é da gente é muito melhor, né?;, acrescenta.


João Barbosa, 57 anos
Quem consegue olhar pela porta da residência de João Barbosa, 57 anos, logo vê que ele é devoto de Nossa Senhora Aparecida ; a imagem está sobre uma mesa na sala da casa dele, no térreo do Bloco M, da Quadra 412 da Asa Norte, onde mora e trabalha há 22 anos.

O zelador, que está sempre próximo aos moradores, veio de longe: nasceu em Bacabal, cidade do Maranhão com pouco mais de 100 mil habitantes. Por lá, trabalhava como lavrador e se mudou para Brasília em busca de emprego. Desde que chegou na capital do país, trabalha e mora no condomínio da Asa Norte. ;Gosto muito da capital, é muito diferente, tem muita gente boa. Por incrível que pareça, também gosto do clima daqui;, conta Seu João, como é conhecido no bloco.

Ele mora sozinho no cômodo e conta que viu várias gerações crescerem no bloco. ;Vi muita gente que era pequena quando cheguei crescer e ter filhos, outros casaram e foram embora;, conta. ;Estou sempre por aqui e os moradores sabem que, qualquer coisa, podem me procurar;, afirma.


Luiz Lino, 49 anos
No Bloco E da Quadra409, na Asa Norte, mora Luiz Lino, 49. Ele é zelador do bloco há 22 anos e atualmente mora no cômodo no térreo do prédio com a esposa. A filha também o vistia de vez em quando. ;Vim para cá porque meu irmão já estava trabalhando aqui, lá na minha cidade eu trabalhava na roça;, conta Luiz (que nasceu em Baixa Grande do Ribeiro, no Piauí) sobre a chegada a Brasília.

Para Luiz, somente há vantagens em morar no mesmo local em que trabalha: ;É muito melhor. Não preciso acordar tão cedo, não tenho que pegar ônibus. Para mim, é ótimo e o pessoal do bloco todo me conhece;, disse. Além disso, ele afirma que fica mais próximo dos moradores e que até já fez amigos entre os condôminos. Entre as atividades diárias que ele desenvolve, estão pequenos serviços de manutenção e limpeza do bloco.


Nair Bispo, 62 anos
Quem passa pelo Bloco C da Quadra 409 da Asa Norte provavelmente encontrará Nair Bispo, 62, limpando com cuidado os vidros das portarias do prédio. O tradicional cômodo no térreo não é mais a casa do zelador, mas ele morou no local durante 25 anos, onde também criou os filhos ; cinco. Recentemente, a família mudou-se para uma casa em Sobradinho. ;O espaço ficou pequeno. Estamos sempre tentando melhorar, e é bom morar em um lugar que é seu. Mas todos os meus filhos foram criados aqui na casinha debaixo. Três ainda moram comigo e com a minha esposa;, conta Nair.

A história dele é semelhante à da maioria: ele veio de São Francisco, em Minas Gerais, para Brasília em busca de emprego. Quando chegou aqui, começou a trabalhar como zelador do condomínio. Sobre a relação com os moradores, ele afirma que somente se lembra de coisa boas. ;O que é ruim não podemos guardar. Desentendimentos a gente acaba esquecendo. Mas gosto muito de todos. Tem gente que mudou daqui e que, até hoje, tenho contato, vai à minha casa;, afirma.


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