Guardiões de blocos

Guardiões de blocos

Os zeladores são figurinhas carimbadas dos condomínios residenciais. Você se lembra daqueles profissionais que trabalhavam e moravam nos apartamentos do térreo de prédios do Plano Piloto? Eles estão cada vez mais raros, mas ainda existem

» Paula Braga Especial para o Correio
postado em 06/03/2016 00:00
Quem cresceu nos blocos residenciais do Plano Piloto deve guardar na memória uma figura bastante comum nas superquadras: o zelador, responsável por cuidar da manutenção do prédio e dar assistência ao síndico e aos moradores. Aquele profissional que trabalha nos condomínios há mais de duas décadas, mora nos cômodos disponibilizados no térreo e faz parte da história do prédio.

O número de zeladores desse tipo (que moram no local de trabalho e zelam pelo prédio) está cada vez menor. Isso porque a contratação direta de funcionários pelos condomínios é uma relação que está mais reduzida e parece perdurar somente nos edifícios das asas Sul e Norte. Na contramão dessa redução, as empresas que terceirizam a mão de obra de prédios residenciais têm ganhado espaço e servido como opção para condôminos, principalmente nas cidades fora do Plano Piloto.

;Alguns desses novos condomínios são como um hotel, só não têm serviço de camareira e café da manhã. Mas a administração das demais áreas é semelhante. Em Brasília, o setor começou a ficar forte porque a contratação direta de pessoal por parte dos moradores muitas vezes é mais complicada e mais dispendiosa;, destaca Carlos Salgueiro Garcia Munhoz, 53 anos. Ele e o filho, Carlos Farias Munhoz, 23, são os responsáveis pela empresa A Casa do Síndico, que há 20 anos oferece serviços de apoio administrativo, terceirização de mão de obra, consultoria na implantação de novos condomínios, manutenção de áreas comuns e assessoria contábil, jurídica e de cobrança para edifícios residenciais e comerciais. Atualmente, a empresa trabalha com a administração de 105 edifícios ; a maioria deles são blocos de apartamentos.

;É mais vantajoso para o condomínio contratar uma empresa especializada. Se um funcionário terceirizado adoece ou precisa ficar 15 dias fora, por exemplo, a empresa substituiu sem prejudicar as atividades do condomínio. Na contratação direta, o prédio ficará sem o serviço ou terá que contratar um trabalhador temporário para substituir o que está em falta;, ressalta Nilson Furtado, que coordena uma associação de síndicos no Distrito Federal.

Na maioria dos caso, a moradia no local de trabalho é oferecida em troca de desconto do valor no salário. O advogado Caio Vieira de Mello destaca que esta relação está prevista na Consolidação das leis do trabalho (CLT), mas que a moradia deve oferecer padrões mínimos de dignidade. ;O acordo deve estar descrito no contrato de trabalho e a moradia deve ter conforto, ventilação, iluminação, altura mínima;, enumera. Segundo ele, quem trabalha e mora no mesmo local deve registrar a jornada diária para ter o controle das horas de serviço prestadas ordinariamente. ;Se um morador bate na porta do zelador durante a noite, fora da jornada, corre o risco de fazer com que o funcionário trabalhe horas extraordinárias. Deve haver a orientação para que isso não ocorra, exceto em casos excepcionais;, aconselha.



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