360 Graus

360 Graus

por Jane Godoy janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: Edy Amaro/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Edy Amaro/Esp. CB/D.A Press)






Mais um ponto morto


Já perdemos a conta de quantos são: Teatro Nacional, Panteão da Democracia, Concha Acústica, Museu de Arte de Brasília, Biblioteca Demonstrativa de Brasília Maria da Conceição Moreira Salles, Escola de Música de Brasília e tantos e tantos outros logradouros que, de momento e tomada pela ansiedade de enumerá-los, até perdi a conta.

Ao observar cada um deles, ao pensar no quanto custaram aos cofres públicos e aos nossos bolsos, por meio de impostos, torna-se difícil de encarar, com naturalidade, tamanho abandono e deterioração, ainda mais em tempos ;de vacas magras; e alto custo para tudo. E é essa coleção que jamais gostaríamos de enumerar, que acrescento mais um: monumental, trabalhoso, que comprometeu, durante talvez mais de um ano, a liberdade de ir e vir das pessoas, além da paciência de todos.

Ainda no governo Agnelo Queiroz, quando, justiça seja feita, Brasília se transformou num gigantesco canteiro de obras, vimos, esperançosos e felizes, a construção daquele que resolveria de vez o sério problema do transporte em Brasília.

Ao longo da BR-040, viadutos enormes e trabalhosos, passagens aéreas de pedestres, paradas de ônibus envidraçadas... Progresso, conforto, agilidade no trânsito à vista! O sistema Bus Rapid Transit (BRT) ; ou Expresso DF ; foi instalado para transportar cerca de 280 mil pessoas por dia em Brasília, abrangendo as regiões administrativas do Gama, de Santa Maria, do Park Way e do Plano Piloto. Com veículos articulados que rodam num corredor especial, têm capacidade para 160 passageiros. Os biarticulados trafegam nos horários de pico com uma capacidade de 200 pessoas. Foi programado para diminuir o tempo de viagem, que era de 90 minutos para, em média, 40 minutos.

;Ao longo do percurso, foram instaladas 15 estações com embarque em nível e 15 passarelas para maior segurança dos usuários. O projeto também contempla terminais de integração com os ônibus convencionais e metrô. A proposta do Expresso DF contém veículos híbridos e elétricos, já que o projeto também envolve a questão ambiental. Os ônibus são monitorados pelo Centro de Controle Operacional (CCO), que repassa aos usuários informações por meio de painéis eletrônicos.

Os corredores exclusivos foram construídos junto do canteiro central para uso exclusivo dos ônibus. Neles, operam linhas semiexpressas. A cobrança da tarifa ocorre antes do embarque dos passageiros no veículo. O novo sistema tem ramais no Gama (8,7km de extensão) e em Santa Maria (5,3km de extensão). O trecho se torna único a partir de um ponto de encontro na BR-040;, descreve o site do BRTBrasil.

A primeira viagem ocorreu em abril de 2014, uma alegria e um orgulho para os brasilienses, principalmente, para os usuários, que se encantaram com o conforto, a segurança e a rapidez de deslocamento.

Segundo o site, o Expresso DF passa pela BR-450/Epia, DF-065, DF-480, BR-040, DF-025 e DF-047. As paradas em que os passageiros embarcam ficam no canteiro central. As 15 estações são localizadas ao longo das rodovias e há dois terminais de embarque, sendo um no Gama e outro em Santa Maria. É interligado às estações do Metrô-DF, com o Terminal da Asa Sul (TAS) e do ParkShopping. O sistema atende 270 mil pessoas ; cerca de 10% da população do DF.

Planos do governo de então incluíam ;a extensão do Expresso DF para Luziânia, além da implantação do modelo em outras regiões, como o Eixo Oeste, Eixo Sudoeste e o Eixo Norte, que atenderá Sobradinho, Planaltina e Varjão;. Tudo sob a tutela do DFTrans.

Tudo muito bonito, muito prático e funcional. Até mesmo um sonho realizado. O dinheiro gasto, lá está para quem quiser ver. Até que, infelizmente, começam a aparecer os pontos mortos para aumentar a coleção. Leitores nos escrevem e contam que há estações como a encontrada em frente à Candangolândia (região dos motéis), completamente abandonadas, à mercê de invasores sem-teto, ponto de usuários de drogas e álcool, cercas de madeira quebradas e apodrecendo. Sem a pista exclusiva para BRT, sem a sinalização programada e necessária, e esperada.

Nada daquilo que povoava os sonhos dos usuários daquele tipo de transporte chegou a se tornar realidade definitiva. Tudo começa a se perder, a se deteriorar, tanto materialmente quanto na mente das pessoas.

Um quadro triste de desperdício. Mais um para a galeria de pontos mortos em Brasília.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação