O Conic ainda pulsa

O Conic ainda pulsa

Diego Ponce de Leon
postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: Wanderlei Pozzembom/CB/D.A Press - 17/4/11)
(foto: Wanderlei Pozzembom/CB/D.A Press - 17/4/11)



Ali, tudo cabe, todos cabem. O Conic congrega a diversidade brasiliense, o que o torna dos mais pulsantes locais desse nosso quadrado. Os geeks jogam RPG, a galera do rap faz batalhas de rimas e dança hip-hop, os salões afros são disputados, os estúdios de tatuagem marcam a pele, muita gente sai furada, com brincos por todo o corpo. Uma senhora paga contas, crianças correm pelo vão central, evangélicos oram em antigos cinemas pornôs, prostitutas garantem o soldo do mês. Dulcina vive.

Talvez seja ela a mulher que fez chover no palco em 1945, a principal responsável pela efervescência do Conic. Ao fundar a faculdade que carrega seu nome, Dulcina levou as almas mais artísticas do país para o coração de Brasília. Naquele teatro, Bibi Ferreira foi ovacionada ao defender Gota D;água, de Chico Buarque e Paulo Pontes. Naquele teatro, os Irmãos Guimarães se tornaram referências nacionais. Naquele teatro, já deteriorado e cheirando a mofo, o recente espetáculo Desbunde provocou filas pelas escadarias da faculdade.

Se não bastasse a entidade cultural deixada por Dulcina de Moraes, o Conic, ainda assim, teria boas histórias para contar. Foi ali, na extinta boate New Aquarius, que as bichas brasilienses (no sentido mais empoderado da palavra) bateram cabelo ainda na década de 1970 e se jogaram por madrugadas sem fim. Décadas depois, os porões do prédio voltam a celebrar o colorido dos gêneros e a estrutura mal se aguenta ao receber a festa-espetáculo Ultra-romântico, uma orgia incandescente de teatro, sexualidade e regozijo.

Renato Russo adorava o Conic. Cássia, Zélia e Oswaldo também. Eu adoro. Não há Brasília sem Conic. Em cada brasiliense, pulsa um pouco daquele espaço. E, talvez, seja o que melhor carregamos nessa bagagem concreta. E não sou quem estou dizendo. É Dulcina.

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