Setor de "resistência" Sul

Setor de "resistência" Sul

Teatro, faculdade e ponto de cultura, o SDS sobrevive com anos e se reinventa para manter viva a arte em Brasília

Isabella de Andrade Especial para o Correio
postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)




Localizado no coração da capital, entre os eixos viários que estruturam o traço urbano da cidade, o Teatro Dulcina é o ponto que pulsa no Setor de Diversões Sul(SDS), o Conic. O local, originalmente projetado por Lucio Costa com o objetivo de possibilitar uma maior ocupação do centro da cidade, abrigou ao longo dos anos os mais diversos estilos e tribos brasilienses. Em sua base, colocando-se como atrativo cultural e de resistência ao longo das décadas, o Dulcina propiciou, entre seus altos e baixos, desde a criação, o aprendizado das artes e o acesso à cultura feita em solo brasiliense, carregando o legado cultural da grande artista que lhe dá nome.

O atual movimento de revitalização que ocupa o teatro e se expande para os arredores pretende aumentar as atividades e o acesso ao público, reforçando a fama de espaço cultural de criação, misturas e diferenças na capital do país.

Inspirada pela ocupação artística, Brunna Rosa, que é coordenadora de Comunicação do movimento Dulcina Vive, conta que a presença de alunos e o trabalho voluntário de diversos coletivos têm sido um ponto importante para o desenvolvimento do trabalho, que está ligado ao processo de reestruturação da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes.

;O teatro precisa passar por uma grande reforma. Estamos produzindo um estudo técnico da situação, mas com as pequenas mudanças já podemos receber eventos, como o Quarta dimensão, que ocupará os palcos do Teatro Dulcina todas as quartas-feiras, trazendo música autoral e independente do DF e região;, conta a produtora.

Os coletivos envolvidos no projeto têm trabalhado pela preservação da faculdade e pelo fortalecimento de seu centro cultural, além da revitalização do SDS.

Arte visual
O artista plástico Andrey Hermuche também faz parte do movimento de reestruturação do espaço e assumirá a galeria de arte do teatro com a parte de cenografia. Hermuche lembra que a ideia é revitalizar um importante espaço da região central de Brasília, que se mostra ainda mais necessário neste período de escassez de espaços artísticos no Distrito Federal.

;O Teatro Nacional está fechado e outros importantes espaços sucateados, precisamos de um lugar que atenda a essa demanda artística e cultural que se cria em Brasília, mas, muitas vezes, não consegue chegar ao público;, afirma.

O artista lembra que os coletivos estão em processo para retomar o título de polo de cultura do Conic e do Dulcina, já que ambos trazem essa herança cultural, firmada pelos trabalhos construídos ao longo dos anos na cidade.

Envolvendo uma grande diversidade de artistas e produtores, o movimento aponta para um rumo de que é possível formar, a partir dali, um ciclo de cultura que se expanda para outras regiões e manifestações artísticas da capital. ;Queremos unir e revitalizar os três pontos que são a base para o desenvolvimento cultural: apresentações artísticas de qualidade, espaços saudáveis e em boas condições físicas e a presença do público, que é incentivada pelo desenvolvimento dos dois pontos anteriores;, declara o artista, que está fazendo toda a sinalização do Complexo Cultural Dulcina de Moraes.


Base firme
O diretor e dramaturgo Fernando Guimarães, um dos nomes mais antigos presentes atualmente no Dulcina, faz parte da velha guarda do teatro brasiliense e lembra que toda a sua vida foi ligada ao lugar. Guimarães estudou na faculdade desde a época em que era frequentada pela própria Dulcina de Moraes e dá aulas no tradicional teatro desde 1996. ;Eu tenho muito amor pelo lugar e acredito que qualquer projeto para revitalizar aquele canto seja muito bom, o Dulcina é importantíssimo para todo aquele espaço do Setor de Diversões Sul.;

O diretor lembra que esse processo de revitalização já acontece há alguns anos, tendo enfrentado altos e baixos e que o movimento atual é possível também pela resistência de antigos professores, técnicos e funcionários, que mantiveram, sob esforços, o teatro erguido mesmo com as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos. ;Tivemos anos excelentes por ali, com filas quilométricas na entrada do teatro. Os projetos de agora não podem perder o vínculo com o foco principal do Dulcina, que é o teatro e a sala de aula, sendo a missão da faculdade;, conta o professor. Guimarães destaca que é de extrema importância voltar a atenção para os alunos e para uma boa formação acadêmica.



2008
Ano em que o Teatro Dulcina foi tombado como Patrimônio Cultural do DF

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