Clima pacífico domina atos na Esplanada

Clima pacífico domina atos na Esplanada

» JULIA CHAIB » VILHENA SOARES » CAMILA COSTA » HÉDIO FERREIRA JÚNIOR ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 14/03/2016 00:00
 (foto: Camila Costa/CB/D.A Press
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(foto: Camila Costa/CB/D.A Press )


Na maior manifestação contrária ao governo da presidente Dilma Rousseff na capital federal, desde que a petista assumiu o segundo mandato, a Esplanada dos Ministérios foi pintada de verde-amarelo. Cartazes tinham palavras de ordem contra o PT e o governo e a favor do juiz Sérgio Moro, à frente da Operação Lava-Jato no Paraná. Famílias, idosos e crianças formaram o público de 100 mil pessoas que protestava em Brasília. O ato foi, de forma geral, pacífico e em tom de encontro de famílias. Porém, ao final, por volta de 13h30, um grupo de sete pessoas foi hostilizado enquanto ia embora, acusado de ser provocador dos manifestantes.

A empresária Clarisse Lessa, 75 anos, acredita que o Brasil passa por um período difícil. Um dos maiores problemas é o desemprego. ;Minha empresa recebe de três a quatro currículos por dia. Esse é um problema que precisa ser resolvido o quanto antes;, contou. Muita gente acordou cedo para se organizar. Maria da Trindade Morais, 60 anos, às 9h já estava pronta para o ato. Em frente ao carro de som estacionado na frente do Congresso, a aposentada ensaiava os discursos. ;Quem rouba deve sair. Acho que assim teremos um resultado positivo.;

Teve quem levasse até os cachorros para a manifestação. A advogada Mariana Albuquerque, 35 anos, foi uma delas. Juntou ainda amigos e familiares no gramado da Esplanada dos Ministérios. O grito que entoava do grupo era o de ;basta;. ;Chega de tantos escândalos. Estamos aqui para pedir mudanças. Os representantes do povo usaram empresas públicas para desviar o dinheiro que é nosso", criticou. Ela defendeu que todos os corruptos paguem por seus crimes. ;Todos, sem exceção, têm que ser tratados da mesma forma;, completou.

Morador de Valparaíso, o frentista Bruno Almeida, 26 anos, se antecipou para não perder um minuto do protesto. Chegou no Museu da República por volta das 7h30, mais de uma hora antes do horário marcado para a manifestação. Ele foi acompanhado dos colegas Yago Fidelis, 22 anos, e Virgínia Fidelis, 26 anos. O trio se vestiu com roupas típicas de baianas, uma referência à Operação ;Acarajé;, da Polícia Federal. Os amigos repetiam as frases entoadas pelos organizadores do evento; e tiravam fotos com pessoas que estavam no local. ;Acreditamos que a reforma política pode ser uma solução para este momento pelo qual estamos passando;, destacou Bruno.

Políticos
A tímida e quase insignificante participação de líderes da política nacional, na manifestação de ontem em Brasília, deu o tom da mobilização na Esplanada. A lacuna deixada pelos expoentes partidários do PSDB e do DEM abriu espaço para o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) brilhar e ser aclamado aos gritos de ;mito; e ;Bolsonaro presidente;.

O séquito que seguia o deputado ; polêmico por defender o uso de armas, o combate às causas gays e a volta dos militares ao poder ; parecia alheio ao pacote ideológico do parlamentar. Durante todo o trajeto que seguiu da Catedral de Brasília até a frente do Congresso Nacional, ele tirou centenas de fotos. Havia gente que, a qualquer custo, queria registrar a proximidade com o deputado. ;Filma logo, pai!”, pedia uma criança enquanto Bolsonaro passava.

A presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PDT), e o senador Reguffe (sem partido-DF), foram dois políticos da capital que estiveram nos protestos. De forma menos efusiva, caminharam entre as pessoas e não subiram ou discursaram nos carros de som. De óculos escuros e boné, a deputada, inclusive, passou quase imperceptível pelos outros manifestantes. Reguffe ainda tirou algumas fotos com eleitores.

Confusão
Nem mesmo o cancelamento do ato de militantes do PT evitou conflitos. Enquanto as pessoas se dispersavam da Esplanada dos Ministérios, por volta de 13h30, sete pessoas foram hostilizadas, depois de serem confundidas com militantes do partido de Dilma. Quando caminhavam rumo à Rodoviária para irem embora, foram cercadas por manifestantes anti-Dilma. No grupo, duas pessoas usavam uma camiseta com a frase ;A casa grande surta quando a senzala aprende a ler;. Eles foram chamados de "maconheiros", "vagabundos" e "ladrões". Os ataques duraram aproximadamente 30 minutos.

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