Massacres na Turquia...

Massacres na Turquia...

Carro-bomba explode em praça movimentada no centro de Ancara, deixando pelo menos 34 mortos e 125 feridos. Em Grand-Bassam, histórico balneário da Costa do Marfim, seis extremistas armados com fuzis e granadas matam 14 civis e dois policiais

» RODRIGO CRAVEIRO
postado em 14/03/2016 00:00
 (foto: Mehmet/Ozer/AFP)
(foto: Mehmet/Ozer/AFP)




;O edifício sacudiu por inteiro, atingido pela onda expansiva da explosão.; Eram cerca de 18h45 (13h45 em Brasília), quando o economista porto-riquenho Ian Seda-Irizarry, 36 anos, sentiu o impacto, no quarto andar do prédio, e logo teve a certeza de que se tratava de uma bomba. ;O mesmo ocorreu há cerca de um mês, quando um artefato explodiu próximo ao parlamento;, disse ao Correio. A quatro quarteirões dali, um carro-bomba tinha acabado de ir pelos ares, diante de uma parada de ônibus e de uma estação de metrô, na Praça Kizilay, no centro de Ancara. ;Eu preferi não me aproximar do local, a uns 15 minutos de caminhada, por temer novas detonações;, afirmou Ian.

Até o fechamento desta edição, o ataque terrorista tinha deixado pelo menos 34 mortos e 125 feridos, 19 em estado grave. ;Trinta pessoas faleceram no local, quatro no hospital. Suspeitamos que possa haver um ou dois atacantes suicidas entre as vítimas;, declarou Mehmet Muezzinoglu, ministro da Saúde da Turquia. As vítimas foram levadas para 10 hospitais diferentes. Imagens das emissoras turcas exibiram vários veículos calcinados e um ônibus destruído. O atentado também teria sido flagrado por uma câmera de segurança, a qual mostra carros passando por um ônibus, em direção à Praça Kizilay, antes de uma violenta explosão e uma ;chuva de fogo;.

Citado pela TV CNN, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que, ;quando organizações terroristas e aqueles que as usam como ferramenta perdem a batalha contra as forças de segurança, eles aplicam os métodos mais cruéis e alvejam pessoas inocentes;. Ele culpou os combatentes sírios das Unidades de Proteção do Povo (YPG), com apoio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), pelo banho de sangue de ontem. No entanto, Saleh Muslim, chefe do Partido da União Democrática (PYD), que tem nas YPG sua ala militar, e Cemil Bayik, um dos líderes do PKK, rejeitaram as acusações.

O ministro do Interior, Efkan Ala, adotou um discurso desafiador. ;Nós condenamos este ataque terrorista. As pessoas que o realizaram jamais serão bem-sucedidas. A Turquia vai se superar. Nossa determinação em lutar contra o terror nunca será dissuadida por atentados como este;, avisou. Nenhuma facção reivindicou a autoria, mas as suspeitas também recaíam sobre o grupo Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK), ramificação armada do PKK. Ian Seda-Irizarry também vê a possível participação do TAK, mas não descarta o envolvimento do Estado Islâmico. ;Não deve surpreender a ninguém se, como sempre, o governo culpar primeiro o PKK, apesar de eles jamais atacarem civis;, disse à reportagem, antes mesmo do pronunciamento de Erdogan.

Em outro ponto da capital, Atahan Babahan, 44, contou que o filho brincava com três vizinhos no jardim quando entrou em casa assustado. ;Ele bateu na porta e me contou, com medo no rosto, que um avião tinha caído. Pouco depois, soubemos da explosão no noticiário e escutamos sirenes de muitas ambulâncias em Kizilay;, relatou à reportagem. ;O barulho foi muito alto e pôde ser ouvido de qualquer lugar em Ancara;, acrescentou.

Por meio de nota, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ;enviou suas sinceras condolências aos familiares das vítimas; e destacou que a organização ;continua apoiando e mantendo-se solidária com o povo e o governo da Turquia neste momento de provação;.

Censura


Horas depois do atentado em Kizilay, uma Corte de Ancara ordenou o bloqueio do Facebook e do Twitter a usuários turcos. A medida foi implementada pelo TIB, organismo responsável pelas telecomunicações na Turquia. Segundo a Justiça, a proibição visa impedir o compartilhamento de imagens de vítimas da tragédia.


  • Alvo frequente
    Nos últimos meses, sangrentos ataques sacudiram a Turquia

    20 de julho de 2015
    Uma mulher-bomba de 18 anos, pertencente ao Estado Islâmico, se explodiu durante reunião de universitários que planejavam viagem humanitária à Síria. O atentado ocorreu em Suruç, próximo à fronteira.

    10 de outubro de 2015
    Dois suicidas se infiltraram em uma manifestação pró-curdos, matando 103 pessoas, diante da estação central de Ancara. Foi o pior atentado da Turquia.

    12 de janeiro de 2016
    Doze turistas alemães morreram em atentado suicida em praça no bairro turístico de Sultanahmet, em Istambul.

    17 de fevereiro
    A explosão de um carro-bomba, ao lado de um comboio de ônibus do Exército, deixou pelo menos 29 mortos. O ataque foi reivindicado pelo grupo Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK).

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