...e em resort à beira-mar

...e em resort à beira-mar

postado em 14/03/2016 00:00
 (foto: Sia Kambou/AFP)
(foto: Sia Kambou/AFP)





Lopez Dobe jamais imaginava que o fim de semana no balneário turístico de Grand-Bassam ; 40km a leste de Abdijan, capital econômica da Costa do Marfim ; seria tocado pelo horror e pelo luto. Enquanto chorava a morte de um colega, ele contou ao Correio como escapou da fúria assassina de seis extremistas islâmicos. Armados com fuzis Kalashnikov e granadas, e vestidos com balaclavas, os terroristas chegaram pela praia, pouco depois do meio-dia (9h em Brasília), e dispararam contra turistas estrangeiros de três hotéis. Pelo menos 14 civis foram executados, enquanto os assassinos gritavam ;Allahu Akbar; (;Alá é maior;, em árabe). Durante troca de tiros com os militantes islâmicos, dois integrantes das forças de segurança morreram e os seis agressores acabaram ;neutralizados;.

O grupo Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM) assumiu a autoria do atentado, ao divulgar comunicado elogiando os ;três heróis; que realizaram a ação. ;Pela graça de Alá, o Todo-Poderoso, três heróis dos cavaleiros da Al-Qaeda Al-Jihad no Magreb Islâmico foram capazes de atacar o resort turístico Grand-Bassam, situado no leste da cidade de Abidjan, na Costa do Marfim;, escreveu a facção.

;Ao escutar os disparos, pensei se tratarem de fogos de artifício. Depois, todos nós corremos e nos escondemos. Buscamos refúgio dentro de um dos hotéis;, afirmou o morador de Abdijan, que pretendia aproveitar a forte onda de calor para dar um mergulho no mar. Questionado se chegou a visualizar os terroristas, Lopez garantiu: ;Se eu os tivesse visto, estaria morto agora; eles atiravam em tudo o que se mexia;. Poucas horas depois do massacre, tudo o que ele mais desejava era retornar a Abidjan. Em seu perfil nas redes sociais, o marfinense publicou fotos de granadas e coletes apreendidos com os extremistas; da retirada de hóspedes e funcionários dos hotéis, todos com os braços para o alto; e dos corpos estendidos na areia, entre eles, o de um banhista crivado de balas.

Presidente

;O número é pesado. Os terroristas conseguiram matar 14 civis. Perdemos dois membros das forças especiais. Saudamos a coragem e a serenidade de nossas forças de segurança;, escreveu nas redes sociais o presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, que visitou Grand-Bassam menos de quatro horas após o atentado. De acordo com o ministro do Interior, Hamed Bakayoko, quatro dos mortos eram ocidentais, incluindo um francês e um alemão.

O presidente francês, François Hollande, classificou a ação de ;covarde; e confirmou a morte do conterrâneo. ;A França forneceu o apoio logístico e de Inteligência à Costa do Marfim (...) e intensificará a cooperação com seus sócios na luta contra o terrorismo;, destaca nota divulgada pelo Palácio do Eliseu. Amanhã, o chanceler francês, Jean-Marc Ayrault, e o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, viajarão a Abidjan para prestar solidariedade a Ouattara.

O jornalista marfinense Israel Yoroba, de Abdijan, disse à reportagem que o país jamais tinha sido alvo de jihadistas e aponta três razões para o ataque de ontem. ;Em primeiro lugar, Gran-Bassam foi a primeira capital (1893-1900) e é uma cidade histórica e considerada patrimônio histórico da humanidade pela Unesco. Em segundo, apenas Abidjan mereceu o reforço da segurança, a fim de prevenir um atentado. Por último, Bassam recebe, a cada ano, grande número de turistas estrangeiros.;

De acordo com Yoroba, os marfinenses estão traumatizados e desconfiados das informações divulgadas pelo governo. ;Muitas questões foram levantadas. Enquanto as autoridades anunciaram terem matado seis atacantes, não vimos fotos dos corpos. A AQIM fala em ;três heróis;, mas o governo cita ;seis terroristas;;, comentou. Nas redes sociais, surgiram mensagens e demonstrações de solidariedade ao povo marfinense. Um vídeo publicado no Twitter mostrava várias pessoas correndo, desesperadas, na área da piscina de um dos hotéis. (RC)


  • Por um ;golpe; com a sharia

    De inspiração salafista jihadista, a AQIM opera na região do Deserto do Saara, mas mantém ramificações no norte e no oeste da África. Entre suas metas, estão a deposição dos governos de Argélia, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos e Tunísia, e a instalação da sharia (lei islâmica) nesses países.




  • Eu acho...

    ;Eu não choro apenas pelo meu amigo que está morto, mas por todas as vítimas. Foi uma verdadeira carnificina. Vi corpos na praia.;
    Lopez Dobe, morador de Abidjan, passava o fim de semana em Grand-Bassa
    e sobreviveu ao atentado

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