Extrema-direita avança

Extrema-direita avança

Com discurso anti-imigração, a AfD sai das urnas como grande vitoriosa nas eleições regionais, que, segundo as projeções, marcam a derrota para a CDU de Angela Merkel em dois estados

postado em 14/03/2016 00:00
 (foto: John MacDougal/AFP)
(foto: John MacDougal/AFP)


A União Democrata-cristã (CDU), partido da chanceler Angela Merkel, sofreu um duro revés nas eleições regionais realizadas ontem em três estados, que, segundo as projeções, marcaram o avanço da legenda populista de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). De acordo as estimativas, os conservadores da CDU perdem em duas regiões, inclusive no reduto histórico de Baden-Wurtemberg. O resultado das urnas foi interpretado por analistas, em parte, como um reflexo da inquietude dos alemães diante da chegada em massa de refugiados ao país.

Pelas projeções, feitas pela televisão pública alemã com base em resultados parciais, a legenda de Merkel ficará em segundo lugar também em Renânia-Palatinado, no oeste do país, atrás dos social-democratas do SPD (37,5%), atualmente no poder. Os populistas da Alternativa para a Alemanha, legenda criada há apenas três anos, terão entre 10% e 12,5% dos votos em Baden Wurtemberg e em Renânia-Palatinado.

Mas na Saxônia Anhalt, onde a CDU estava à frente ontem, com 30% dos votos, a AfD teve entre 21,5% e 22,8%, um resultado considerado histórico para um partido populista de direita. Transforma-se, assim, na segunda força política regional à frente da esquerda radical Die Linke.

Confirmadas as projeções, a AfD conseguirá entrar nos três parlamentos disputados ontem, sagrando-se a grande vitoriosa nas eleições. Tendo à frente Frauke Petry, 40 anos, a legenda de extrema-direita, que soube tirar proveito da crise dos refugiados, ficará, então, com representações em oito das 16 regiões do país. O copresidente da AfD, J;rg Meuthen, manifestou ;alegria; com os resultados obtidos. Ele afirmou que jovem partido anti-imigração ;não é racista, nem nunca será;.

Mutação


A decolagem eleitoral da AfD é um cenário inédito em um país cujo passado nazista não permitiu até agora a ascensão da extrema-direita em nível nacional após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Desde a sua fundação, em 2013, a legenda experimentou uma profunda transformação, passando da luta contra o euro a um discurso agressivo contra os refugiados.

O partido foi fundado por Bernd Lucke, professor de economia da Universidade de Hamburgo (norte), e rapidamente conseguiu seduzir um eleitorado cansado de partidos tradicionais, como o CDU de Merkel e os social-democratas do SPD.

Depois, aproveitou o descontentamento gerado pela crise do euro, atiçando especialmente a percepção, muito generalizada na Alemanha, de que são seus contribuintes os que pagam pelos erros de outros membros da União Europeia.

Merkel, por sua vez, repudia qualquer possibilidade de alianças regionais com a AfD. No poder há mais de uma década, a chanceler vem sendo muito criticada, inclusive entre os seus partidários, pela política de portas abertas, e membros proeminentes de seu partido abriram distância dela.

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