Na terra do boxe... francês

Na terra do boxe... francês

Franquia mais popular dos games de luta tem brasileira que pratica modalidade pouco conhecida por aqui. Afinal, o que é o savate?

Gabriela Ribeiro - Especial para o Correio
postado em 14/03/2016 00:00
 (foto: Namco/Divulgação

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(foto: Namco/Divulgação )

Esqueça a capoeira. O Brasil é a terra do boxe francês, arte marcial conhecida como savate. Ao menos é o que prega uma das franquias de videogame mais famosas do mundo, Tekken. O recém-apresentado Tekken 7, que teve os personagens divulgados na última semana, tem uma lutadora brasileira, batizada de Katarina Alves, que pratica a arte marcial pouco conhecida no Brasil. No game, o avatar, representado por uma lutadora morena, solta chutes e socos, numa espécie de muay thai mais ágil, ao mesmo tempo em que fala uma ou outra provocação em português.

Na vida real, o savate está longe da associação feita por Tekken 7. O boxe francês chegou ao Brasil pelas mãos de René Des Forest, que se mudou para o continente sul-americano depois da Segunda Guerra Mundial. ;A história do savate começou na garagem da minha casa, na Ilha do Governador (RJ), há mais de 30 anos;, conta o filho, Richard Des Forest. A ele, Des Forest começou a ensinar a modalidade como forma de defesa. Richard tomou gosto e, depois de uma década na França, se formou como o único instrutor sul-americano da arte. Hoje, propaga o savate pelo país e dá treinamentos nos Estados Unidos.

Uma das pioneiras do savate no Brasil, Márcia Des Forest aprendeu a luta quando começou a namorar Richard, há oito anos. ;Sempre fui marombeira e malhava de domingo a domingo, mas nunca havia lutado. Ele me convenceu e eu me apaixonei;, lembra. Como uma das raras savateuses brasileiras, Márcia comemora que o país seja representado por uma mulher lutadora de boxe francês em um dos jogos de luta mais famosos do mundo. ;A representatividade do savate, em forma de uma lutadora, me surpreende. É algo que honra o esporte e ajuda a divulgar a modalidade.;

Com muitos golpes similares ao muay thai, o boxe francês é uma vertente do kickboxing. Na hora de distinguir a modalidade de outras, o uso das mãos e dos pés causa confusão. ;O pessoal no Brasil acha que tudo que soca e chuta é muay thai;, reclama Richard. A pouca familiaridade com o esporte é o que gera equívocos. ;Em geral, as pessoas acham que é kickboxing, mas toda a base é do savate;, completa.

Para tirar as dúvidas e fazer o savate conhecido, o casal dá palestras e treinamentos. Os dois moram no Rio de Janeiro, mas atualmente passam temporada na América do Norte. ;Precisamos de uma divulgação com torneios e campeonatos, além de trabalhar com a informação;, sustenta Márcia.

Apesar de estar há quase sete décadas no país, as atividades ainda são restritas por aqui. Atualmente, a Confederação Brasileira de Savate está desativada, e os últimos torneios foram promovidos no início dos anos 2000. A única relação com a Confederação Internacional, em Paris, é feita por meio da Federação Paulista de Savate, tocada por um dos alunos de Richard.

Octógono

Entre as artes marciais mistas, o savate encontrou espaço para se tornar mais conhecido. De acordo com Richard, grandes nomes do UFC treinam a modalidade. O americano Jon Jones, o canadense Georges SaintPierre e a ex-campeã do peso galo Holly Holm são alguns dos atletas que arriscam no boxe francês. ;Hoje, os melhores do mundo treinam savate;, prega Richard. Alguns brasileiros também são adeptos. O campeão mundial de jiu-jitsu, Daniel Moraes, e o ex-campeão de MMA Anderson Silva já treinaram savate.

O tênis protagonista

O termo francês savate significa ;sapato velho; e se refere à indumentária dos lutadores. ;O savate é a única arte marcial que se luta de tênis;, explica Márcia Des Forest, que está no esporte há oito anos. ;É uma luta de rua que virou esporte. No Brasil, ainda é praticado apenas por uma elite;, explica a savateuse.


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