De olho nos benefícios

De olho nos benefícios

Programas de fidelidade podem ser uma maneira barata e certa de conseguir vantagens em vários setores do mercado, mas é preciso ficar atento às condições e às pontuações

THIAGO SOARES
postado em 14/03/2016 00:00
 (foto: Fotos: Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press - 11/3/16

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(foto: Fotos: Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press - 11/3/16 )


As vantagens e os benefícios são uma das motivações que levam o cientista social Maurício Weidgenant, 41 anos, a participar de diversos programas de fidelidade. Ele usa o serviço em supermercados, companhias áreas, restaurantes e lanchonetes. Para ele, os planos se tornam vantagem uma vez que possibilitam descontos imediatos ou a longo prazo. Em casos de mercados, a diferenciação de preço nos produtos chega a passar de R$ 5, mas são válidas apenas para os que contam com os planos de fidelização dos estabelecimentos. Especialistas avaliam a modalidade como vantajosa para o consumidor, desde que as regras sejam respeitadas pelo fornecedor.

A participação em planos já fez com que Maurício adquirisse passagens aéreas. ;Busco comprar e abastecer o carro nos estabelecimentos que têm programas de fidelidade, mas nem sempre o preço compensa. A exemplo da gasolina, que em algumas ocasiões é mais cara nos locais que dão pontuação;, comentou. O cientista social é atento com a pontuação. ;Sempre acompanho o extrato;. Além disso, ele também possui cartões de fidelização em estabelecimentos de alimentação. ;Não dão descontos, mas, por exemplo, posso adquirir uma refeição gratuita;, completou.

O administrador Danilo Barbosa Mendonça, 33 anos, também usa com frequência os planos de fidelidade. ;Uso mais em supermercados porque dá para aproveitar na hora do pagamento, que geralmente libera descontos na hora;, contou. Os programas também possibilitam o uso das pontuações para adquirir produtos diversos, como eletrônicos e eletrodomésticos, entre outros. ;Mas eu prefiro guardar para usar com troca de passagens;, disse. Mesmo usando os serviços, Danilo considera as regras confusas. ;Em algumas ocasiões, as trocas não compensam e os critérios não são claros;.

Os planos são usados como estratégia de marketing para fidelizar os clientes aos estabelecimentos, segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (Brasilcon), Bruno Miragem. Ele explica que o serviço é uma forma de vantagem para os consumidores, porém, antes de aderir, é necessário que as pessoas se atentem a alguns cuidados. ;O contrato deve ser lido com atenção, principalmente para os participantes entenderem as formas de pontuação e trocas de produtos. As regras não podem ser alteradas sem aviso-prévio. Se houver mudança, as trocas de pontos antigos devem seguir o contrato anterior;, sinaliza.

Para o especialista, a participação nos programas de fidelidade são válidas quando as regras são simples. ;Os critérios não podem levar o consumidor a desistir ou não acompanhar a evolução das pontuações;, esclareceu. Junto ao serviço, os estabelecimentos devem manter canais de comunicação expondo os extratos. ;O consumidor deve ficar atento para os pontos não serem perdidos. Por isso é importante um acompanhamento constante;, disse Miragem.

Trocas

Existem aqueles que só usam os programas de fidelidade para adquirir determinados produtos. No caso de Mônica Kuhlmann, 49 anos, é aproveitado para comprar passagens aéreas. Ela, inclusive, já viajou para o exterior usando os benefícios. ;Todos os pontos ganhos, seja em posto de gasolina ou nos programas de milhas, são usados para o bilhete aéreo. Os outros produtos não compensam, os preços são quase que os mesmos sem pontuação;, disse. A consultora tem costume de vistoriar o extrato de pontuação. ;Por isso nunca perdi pontos. A única coisa ruim é, por exemplo, ter que abastecer naquele determinado posto de gasolina por causa da pontuação;, citou.

Por se tratar de um serviço prestado por determinado estabelecimento, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) garante a operação e a considera legal, segundo a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci. ;Defendemos que sejam observados os direitos dos consumidores. As empresas também devem manter a transparência e o equilíbrio dos programas;, explicou. Para a especialista, é importante que as pessoas não deixem de fazer pesquisas em outros estabelecimentos. ;Os planos não devem servir de critérios para o poder de compra do consumidor;, exemplificou.

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