Sujo e agressivo, mas na moda

Sujo e agressivo, mas na moda

Principais bandas do thrash metal, gênero que inspirou grupos dos Estados Unidos ao Brasil, vivem excelente fase, lançam discos e fazem turnês

» Samir Mendes
postado em 14/03/2016 00:00
 (foto: Ethan Miller/AFP - 11/02/16)
(foto: Ethan Miller/AFP - 11/02/16)



Não se engane: em 22 de março, no Ginásio Nilson Nelson, a grande atração da noite será o Iron Maiden, banda que já vendeu mais de 90 milhões de discos, tem fãs em todo o mundo e é tida como uma das melhores de todos os tempos do heavy metal. A abertura do espetáculo, no entanto, ficará a cargo do Anthrax, grupo digno de ser headliner dos principais festivais do Globo e que, assim como a Donzela de Ferro, arrasta uma legião de admiradores e sempre foi fiel aos princípios do gênero ao qual é identificada.

Fundado em 1981, no Queens, em Nova York, o Anthrax é considerado uma das bandas fundadoras e popularizadoras do chamado thrash metal, subgênero do metal associado ao movimento que surgiu no começo dos anos 1980 no sul da Califórnia, com bandas como Metallica, Slayer e Megadeth.

O termo thrash metal, cuja tradução está mais associada a um movimento ou pancada repentina e violenta, e não a ;lixo;, foi usado pela primeira vez pela revista Kerrang, em referência a uma música do próprio Anthrax, Metal thrashing mad.

Caracterizado pela velocidade e agressividade de suas composições, o subgênero viveu o melhor momento na metade da década dos anos 1980, quando as bandas do chamado Big Four (Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax) lançaram os melhores trabalhos, dos quais dois ; Master of puppets e Reign in blood, completam 30 anos em 2016 ; e influenciaram grupos de sucesso que mesclaram a energia do thrash com vertentes do heavy metal clássico e do hardcore. Entre tais bandas, estão Pantera, Kreator, Sodom, Suicidal Tendencies e inúmeras outras.

Estilo democrático

A influência do thrash metal não atingiu apenas americanos e europeus. Adolescentes brasileiros em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e, principalmente, Minas Gerais, sentiram a porrada trazida pelos ventos californianos, que logo se materializaram em bandas como Dorsal Atlântica (RJ), Korzus (SP) e Sepultura (MG). Na capital, um dos principais grupos do gênero é o Violator, formado em 2002 por Pedro Arcanjo, Pedro Augusto e David Araya. Com dois álbuns de estúdio lançados, Chemical assault e Scenarios of brutality, a banda já fez turnês por diversos países da América do Sul, França, Japão, Bélgica e Itália.

;O thrash metal é o subgênero do metal que mais dialoga com o punk e com o hardcore, ou seja, aquela cultura do faça você mesmo, sem uniforme ou personagens, e o Violator segue à risca essa ideologia. Já negamos até contrato com grandes gravadoras e mantemos nossos empregos, porque é mesmo uma paixão antes do dinheiro. Gostamos dessa energia e desse sentimento da contracultura do thrash, coisas que o mundo moderno cada vez mais tenta nos castrar;, esclareceu Pedro Poney, servidor público e baixista e vocalista do Violator.

Segundo ele, por mais que o thrash tenha passado por momentos de baixa ; e quase desaparecido nos anos 1990 ;, a honestidade visceral do estilo foi o que os levou a começar a banda em uma época em que ninguém mais o procurava. ;Não encontramos essa sinceridade em nenhum outro tipo de música;, confessou.

Para Renato Mendes, 29 anos, baterista da Fierce Fire, banda da capital com 10 anos de estrada e que já tocou com grandes nomes da música pesada como Hangar (do baterista Aquiles Priester), Tank (banda britânica de metal clássico) e Havok (nova promessa do thrash americano), o motivo pelo qual o gênero continua prosperando é a ;democracia; que ele oferece.

;Os fãs querem diversão, curtir um som rápido, algo que outros gêneros dentro do metal não entregam tão bem devido à complexidade das composições. Com isso, músicos jovens, sem muita experiência, acabam atraídos, o que torna o estilo bem convidativo;, concluiu.





Cinco pergunta/Charlie Benante


Nos últimos anos, você passou por problemas pessoais
(morte da mãe em 2012) e de saúde
(síndrome de túnel carpal). Como você está agora?

Eu estou bem. Acabamos de encerrar uma turnê pelos Estados Unidos com o Lamb of God e me senti bem, consegui completar a maioria dos shows. Os que eu não consegui, utilizamos John Dette, que é um excelente baterista e tem nos acompanhado, sempre pronto para me substituir.

O Anthrax está visitando Brasília pela primeira vez, no ano em que a
banda completa 35 anos desde sua formação. O que isso diz sobre a popularidade de vocês?

Os países da América do Sul estão entre os nossos lugares favoritos para tocar e no Brasil particularmente, que é um local no qual já estivemos algumas vezes, o público costuma ir à loucura o que, por sua vez, faz com que nós, de cima do palco, nos animemos ainda mais também. Então, são sempre shows muito legais.

Fale um pouco sobre a relação de vocês com o Iron Maiden
e a influência deles para a carreira do Anthrax.

Desde que eu os conheci, mesmo com todo o sucesso, os caras do Maiden não mudaram, eles sempre foram excelentes pessoas. Em relação à influência, eles são o tipo de banda na qual você tenta modelar sua própria carreira, pensando ;como eles fizeram isso, como eles agiram naquilo;. Seria interessante se as bandas mais jovens mirassem o exemplo deles também, tenho certeza que elas cometeriam menos erros.

Como tem sido a recepção ao novo álbum, For all kings,
e como ele se compara aos álbuns anteriores da banda?

A recepção às músicas que temos tocado ao vivo tem sido excelente. A sensação que eu tenho é que esse disco é como se fosse o segundo das nossas carreiras, pois o nosso álbum anterior, Worship music, representou um recomeço para a banda, já que foi o primeiro trabalho de material inédito que lançamos em oito anos e o primeiro desde 1990 com Joey Belladona (o vocalista). Então, tem sido um momento legal para o Anthrax.

Lemmy morreu no ano passado e muitas das bandas
lendárias de metal estão envelhecendo e se aproximando
da aposentadoria. Você teme pelo futuro do gênero?

É realmente preocupante, pois, de fato, as bandas lendárias que conhecemos e amamos estão envelhecendo e saindo de cena aos poucos e não vejo renovação no estilo. Não vejo mais originalidade nas bandas que estão surgindo, é um pouco assustador, então eu me questiono o que vem por aí no metal.


Queda e ascensão/Como o ;Big Four; recuperou o vigor após anos em baixa


Anthrax

Após oito anos sem gravar um disco de inéditas e problemas com o vocalista John Bush, a banda se reuniu com o cantor Joey Belladona e, com a formação clássica, lançou Worship music. Mesmo com problemas pessoais do baterista Joey Benante, a banda toca nos festivais de heavy metal pelo mundo.


Slayer

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