Os escolhidos de Temer

Os escolhidos de Temer

O vice começa a definir os nomes do provável novo governo: Eliseu Padilha na Casa Civil, Romero Jucá no Planejamento e Henrique Meirelles na Fazenda

PAULO DE TARSO LYRA
postado em 27/04/2016 00:00
 (foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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(foto: Valter Campanato/Agência Brasil )


A praticamente duas semanas da votação, no plenário do Senado, do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o provável governo de Michel Temer já tem sua espinha dorsal definida: Eliseu Padilha na Casa Civil, Romero Jucá no Planejamento e Henrique Meirelles na Fazenda. Meirelles quer emplacar Mário Mesquita na Presidência do Banco Central, mas o nome ainda precisará do aval de Temer e Jucá, algo que não está definido.

Resolvido o tripé econômico, a equipe de Temer dá os últimos retoques no programa destinado à área social. Sem alarde, já que o vice-presidente considera que seria precipitado anunciar ações concretas antes do efetivo afastamento da presidente, as propostas serão publicadas na internet na próxima segunda-feira. Em linhas gerais, os principais programas sociais ; Bolsa Família, Pronatec, Minha Casa Minha Vida ; serão mantidos para que o PMDB possa disputar as classes C, D e E com o PT.

Mesquita foi diretor de política econômica do Banco Central entre 2007 e 2010, durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, quando Meirelles era presidente do BC. Meirelles quer também fazer as presidências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, alegando que precisa de uma equipe afinada para retomar a credibilidade do país e o crescimento econômico.

Temer praticamente definiu que o ex-deputado Geddel Vieira Lima será ministro da Secretaria de Governo, responsável pela articulação com o Congresso. Conhecido pelo comportamento impulsivo e explosivo, Geddel é visto com ressalvas por setores do próprio PMDB. ;Um governo formado só por amigos ; a maior parte deles sem voto ; é o primeiro passo para a gestão dar errado;, alertou um adversário de Temer no partido. ;Quem vai conduzir a articulação é o Padilha;, ponderou um aliado do vice-presidente.

Apesar de desejar muito o Ministério da Fazenda, o senador José Serra (PSDB-SP) deverá ser ministro da Educação em um eventual governo Temer. O peemedebista quer que o tucano repita, em uma área nevrálgica para o país, a atuação de destaque que exerceu quando foi o titular da Saúde, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (1998-2002).

O vice-presidente descartou a possibilidade de criar um superministério da Infraestrutura, como cogitado anteriormente. Existe uma tendência de que Transportes continue com o PR e que a Secretaria dos Portos e a de Aviação Civil sejam fundidas em uma única pasta. Mas um superministério reunindo todas elas é inviável, baseado na experiência frustrada durante o governo de Fernando Collor de Mello.

A Saúde deve ser ofertada ao PP, mas aliados de Temer e integrantes da bancada do PP refutam a possibilidade de o indicado ser o deputado Ricardo Barros (PR). Deputados que votaram favoráveis ao impeachment consideram inviável ceder uma pasta a uma ala que votou contra o afastamento de Dilma.

Além da Saúde e da Caixa, eles veem com bons olhos a Agricultura, por terem uma bancada representativa ligada ao Agronegócio. Mas querem que o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI) convoque a Executiva do partido para definir a possível ocupação de espaços em um governo Temer.

Justiça
O PTB, partido liderado pelo relator do impeachment na Câmara, Jovair Arantes (GO), quer manter o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), uma vice-presidência da Caixa, a Presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além de indicações para a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e a Casa da Moeda.

Mesmo confirmando ontem ter sido sondado, é pouco provável que o advogado Antonio Carlos Mariz seja indicado para o Ministério da Justiça. Ele foi um dos signatários de uma carta com críticas ácidas à Operação Lava-Jato e ao juiz Sérgio Moro.

41
Quantidade de votos necessários no plenário do Senado, composto por 81 congressistas, para determinar o afastamento por até 180 dias da presidente Dilma Rousseff

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