"Querem sentar na cadeira sem voto"

"Querem sentar na cadeira sem voto"

Naira Trindade
postado em 27/04/2016 00:00
 (foto: Roberto Stuckert Filho/PR
)
(foto: Roberto Stuckert Filho/PR )


Sem alternativa para barrar a provável aprovação da admissibilidade do impeachment no Senado, a presidente Dilma Rousseff voltou a criticar o processo acusando o vice-presidente, Michel Temer, de ;querer sentar na cadeira dela sem votos;. ;Eles querem chegar, sentar na minha cadeira, mas sem voto. É claro que isso é muito confortável. Você não tem que prestar conta para o povo brasileiro. Você não tem que explicar para o povo brasileiro o que é que você vai fazer com os programas sociais.;

Em discurso enfático no estado que lidera em número de assistidos do Bolsa Família, a presidente afirmou que Temer quer revisitar programas sociais. ;Isso é diminuir a quantidade de dinheiro que o governo federal coloca no programa para diminuir a prestação da casa própria que vocês pagam. Hoje, vocês pagam entre R$ 25 e R$ 50. É aumentar muito essa prestação ou é reduzir muito aquilo que viabiliza 2 milhões de moradias;, afirmou, na cerimônia de entrega de unidades do Minha Casa Minha Vida, na Bahia.

A presidente repetiu ser vítima de uma ;grande injustiça; e que não cometeu nenhum crime de responsabilidade para sofrer um processo de impeachment. A seis meses das eleições municipais, a estratégia de frisar o discurso de que o PMDB apunhalou o PT pelas costas para tomar o poder ameaça inviabilizar a vitória de prefeitos e vereadores. ;Ninguém gosta de traidores;, repetiu um petista próximo à presidente Dilma.

Encampando o discurso, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), ao cumprimentar seu vice, João Leão (PP), alfinetou Temer. ;Esse vice tem palavra. Esse vice não é traidor. Esse vice tem caráter e não apunhala pelas costas;, disse o governador. Deputados da Bahia foram os mais fiéis a Dilma na votação da admissibilidade do impeachment na Câmara. ;A Bahia me deu, naquele domingo, dia 17, por meio da sua bancada, o maior número de votos por estado da Federação. Então, agradeço também aos 24 deputados federais que tiveram a coragem e a dignidade de votar contra o golpe;, agradeceu Dilma.

No Palácio do Planalto, integrantes do governo já admitem que o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff não se concretizou por erros cometidos por ela, que inviabilizaram o diálogo com o legislativo. Apesar disso, a tese de eleições antecipadas ; bastante debatida ; começa a ser descartada. Uma das alternativas será pressionar uma reprovação das contas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para que a própria Corte casse a chapa e convoque novas eleições.

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