O último Copom da atual diretoria

O último Copom da atual diretoria

postado em 27/04/2016 00:00

Hoje pode ser a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) com a atual diretoria do Banco Central (BC). A manutenção da taxa de juros em 14,25% é consenso no mercado, que estará mais atento ao comunicado que justificará a decisão. Se a expressão ;neste momento; surgir, abrirá as portas para a redução da Selic nas reuniões seguintes. Para a maioria dos especialistas, contudo, a queda só deve começar no segundo semestre, mais precisamente em julho.

Na avaliação da economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, é bem possível que a futura direção do BC, num eventual governo de Michel Temer, seja mais conservadora. ;Na que termina hoje, a tendência é de estabilidade, sem dissenso desta vez. A decisão deverá ser unânime porque a inflação já tem dados sinais mais tranquilos, permitindo a redução dos juros a partir de agosto;, explicou. A previsão da Tendências, de Selic em 12,75% no fim do ano, já considera um novo BC a partir do mês que vem, se a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff ocorrer dentro do prazo previsto pela comissão especial do Senado, ou seja, até 6 de maio.

Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, os juros deverão cair nas quatro últimas reuniões do ano. ;Acredito em cortes de 0,25 ponto percentual em cada uma delas, com a Selic fechando 2016 em 13,25%;, estimou. No entanto, Rosa explicou que isso vai depender do perfil do novo BC. ;Com o Mário Mesquita na presidência, que já passou pelo banco e é conservador, nosso cenário deve se confirmar. Mas pode entrar outra pessoa e promover redução mais acelerada, a partir de junho;, disse.

Na opinião de Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do BC e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), com a inflação em queda, o BC pode dar sinais hoje de que vai iniciar a redução dos juros no próximo encontro. Carlos Eduardo de Freitas, outro ex-diretor do BC, não descarta a possibilidade de a autoridade monetária iniciar o corte ainda nesta quarta, tirando 0,25 ponto da Selic.

Para o estrategista da Icap do Brasil, Juliano Ferreira, o mercado ficará de olho nos comunicados do BC daqui para frente. ;Enquanto sustentar o discurso de que manterá a estratégia para a convergência da inflação ao centro da meta, de 4,5%, até 2017, não há espaço para flexibilização.;

A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, ressaltou que a queda dos juros tende a ser gradual, porque a principal preocupação do governo deverá ser com o fiscal. ;Enquanto o governo não resolver essa questão, não adianta mexer nos juros;, argumentou. (SK e RH)

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