Sem limite

Sem limite

SIMONE KAFRUNI simonekafruni.df@dabr.com.br
postado em 27/04/2016 00:00

Na era digital e das redes sociais, costuma-se dizer, em tom de brincadeira, que um copo d;água e a senha do wi-fi não se nega a ninguém. Mas esses dias estão contados. Exatamente como ocorreu com os planos de internet móvel, há nem tanto tempo assim, os pacotes de banda larga fixa deixarão de ser ilimitados. A maioria das operadoras, na verdade, já reduz a velocidade de navegação quando a franquia acaba. Os consumidores não sabem disso e ligam aos ineficientes serviços de atendimento para reclamar do que acreditam ser ;sinal ruim;. Mas está lá, nas letras miúdas dos contratos que pouca gente lê.

Como não há limite para a ganância, reduzir a velocidade de um serviço que não entrega o que promete desde sempre já não é suficiente. E o levante das companhias que dominam o mercado nacional começou, com o aval da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que tomou partido das empresas ao afirmar que ;a era da internet ilimitada chegou ao fim;.

O Ministério das Comunicações interveio na tentativa de impedir a imposição de franquia. Conseguiu proibir o corte ao fim do consumo, como desejam implantar as operadoras, até que o conselho da Anatel analise a questão. Até porque, acabar com os planos de internet ilimitada vai de encontro ao projeto do governo de universalizar a banda larga no país.

Por trás dessa urgência em estabelecer a franquia na banda larga fixa e o corte após o consumo dos dados, estão os números em queda de outros produtos das operadoras. Os acessos de televisão por assinatura são interrompidos sistematicamente desde que serviços de vídeo por streaming, como Netflix, caíram no gosto dos brasileiros. Em agosto do ano passado, eram 19,6 milhões de assinaturas. Em fevereiro, último dado disponível, recuaram para 18,9 milhões. Com a franquia estabelecida, assistir a filmes pela internet vai torrar os dados num piscar de olhos.

Como a decisão final ficou com a Anatel, é melhor os brasileiros se prepararem para perder mais essa batalha. Não à toa, a luta entre os órgãos de defesa do consumidor e a agência reguladora é antiga. E nessa briga do rochedo com o mar, o usuário ; como você e eu ; é o limo.

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