Elicio Pontes, educador

Elicio Pontes, educador

» ORLANDO PONTES ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 27/04/2016 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)


Certa vez, uma afilhada, ainda criança, perguntou ao professor Elicio Pontes: ;O que é mesmo que você ensina lá na UnB?;. Com seu vozeirão, ele respondeu: ;Catatinha, eu ensino o amooooor!;. Esse era o jeito de ele dizer que era um educador formando novos educadores. Foi esse homem apaixonado pela educação, pela UnB, por Brasília, por seus filhos, André e Elisa, e pela namorada, Olívia Maia, que a cidade perdeu na segunda-feira. Elicio Pontes passou mal no domingo à noite, foi internado na manhã seguinte e, poucas horas depois, não resistiu a uma violenta hemorragia.
O Elicio que virou saudade nasceu em Nova Russas (CE) em 1941. Em Crateús, para onde se mudou aos 5 anos, escutava cantadores e poetas populares na feira. À noite, lia romances de cordel para ouvintes e não leitores; ganhava aplausos (e, às vezes, algumas moedas). Aos 13 anos, mudou-se para Fortaleza, onde se tornou jornalista e radialista. Formou-se em pedagogia pela UFC. Era mestre em educação pela USC, de Los Angeles (EUA); e doutor pela Uned, de Madri (Espanha).
Foi professor da UnB por quatro décadas e um dos fundadores da ADUnB (Associação dos Docentes). Publicou quatro livros de poesias ; Corpos terrestres, corpos celestes (2001), Os olhos do tempo (2009), Metade de mim é verso (2011) e Eterno finito (2014). Participava ativamente da vida cultural da cidade em saraus e eventos literários. Desenvolveu e aplicou com a escritora Olívia Maria Maia o Projeto ;Ler e Escrever: Alegria e Prazer;, para adolescentes carentes da região do Varjão.
Elicio, de muitos poemas. Elicio de muitas lutas. Perdeu sua última batalha na segunda-feira, às 17h07, para a senhora suprema ; morte. O sepultamento será hoje no Campo da Esperança.

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