Uma base para desafiar

Uma base para desafiar

Para aprovar projetos de interesse do governo Temer, aliados do Planalto se veem diante da dificuldade de unir as diversas legendas

» PAULO DE TARSO LYRA
postado em 20/05/2016 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

O presidente interino, Michel Temer, deve dar entrevista na próxima segunda-feira, ao lado dos ministros mais próximos, para anunciar o encaminhamento ao Congresso do projeto que altera a meta fiscal e apresentar o rombo deixado pelo governo da presidente Dilma Rousseff. Ao lado de Temer, estarão o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles; do Planejamento, Romero Jucá; da Casa Civil, Eliseu Padilha; da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

O anúncio tem dois objetivos, ambos voltados para ao parlamento. Um pedido explícito para que, na terça-feira, deputados e senadores possam alterar, em sessão do Congresso Nacional, a meta fiscal, diante do déficit, que, segundo os últimos cálculos, já passaria dos R$ 150 bilhões. E mostrar que, por conta da administração petista, os parlamentares precisam se empenhar para aprovar outras medidas de ajuste que serão encaminhadas pelo Executivo Federal.

O Planalto sabe que, além do discurso, precisa empenhar-se em reunificar a própria base, que vive a primeira crise de relacionamento após a decisão do Planalto de escolher André Moura (PSC-SE) para o cargo de líder do governo na Câmara. O parlamentar, muito ligado ao presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), contou com o apoio do chamado Centrão, que, no cálculo dos adversários, inclui 216 deputados e, na estimativa do próprio Moura, passa ligeiramente dos 300.

Responsável pela articulação política do governo, o ministro Geddel Vieira Lima chamou Moura para uma conversa ontem no Planalto, para estancar a crise. ;Não tem essa de Centrão, de Centrinho. Somos uma base só, unida. As pessoas estão ansiosas e esquecem que somos um governo com apenas seis dias úteis. As coisas estão se acomodando;, disse Geddel.

Moura também tentou desfazer esse mal-estar. Ao deixar o Planalto, procurou o líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), para garantir que o chamado Centrão não formará um bloco parlamentar baseado nas normas da Casa, para não gerar atrito com os demais integrantes da base aliada. ;Foi um gesto importante para dirimir resistências;, admitiu Imbassahy, ao Correio.

Grupos
Não existir formalmente enquanto bloco não significa dizer que as cisões tenham desaparecido. ;O PSDB, por exemplo, precisa manter sua identidade. Não poderíamos nos furtar de dar sustentação ao atual governo, mas precisamos buscar partidos que comunguem os mesmos pensamentos conosco;, disse o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG).

Ele enxerga quatro grandes grupos políticos na Casa: o centrão, formado por 13 legendas que avalizaram o nome de Moura; o bloco de oposição PT-PCdoB-PDT e PSol; o grupo que une PSDB-DEM-PPS-PSB e, quem sabe, o PV; e o PMDB, que, segundo ele, deverá transitar livremente entre as agremiações que dão apoio ao Planalto. ;Poderemos ter unidade de ação, mas, não necessariamente, unidade de ideias;, completou Pestana.

Algumas divergências já são sentidas. O PSDB, por exemplo, não vê como absurda a possibilidade de uma reforma da Pevidência que promova mudanças nos trabalhadores que ainda estão na ativa, alterando, por exemplo, a idade mínima para a aposentadoria. O DEM, legenda mais revoltada pela escolha de Moura ; até porque viu escapar a chance de emplacar Rodrigo Maia (RJ) no posto ; sugere, apenas, uma transição mais suave para quem esteja próximo da aposentadoria.

O centrão é radicalmente contra a proposta sugerida por Henrique Meirelles, que afirmou, em entrevista, que alterar regras da Previdência apenas de quem vai entrar no mercado não adianta. ;Ele quer mexer em direitos adquiridos?;, espantou-se o líder do PSD na Casa, Rogério Rosso (DF). Presidente da Força Sindical e do Solidariedade, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SP), classificou a proposta de Meirelles de ;estapafúrdia;.


STF investiga Vital do Rêgo e Marco Maia
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki autorizou ontem a abertura de inquérito contra o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e ex-presidente da CPI mista da Petrobras Vital do Rêgo e contra o deputado e ex-relator da comissão de inquérito Marco Maia (PT-RS). Os dois foram acusados por empreiteiros e pelo ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) de ;blindarem; os executivos de serem convocados na CPI, em troca de dinheiro. Pelos mesmos fatos, o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) é réu em ação penal na 13; Vara Federal de Curitiba, porque não tem mais foro privilegiado no Supremo. O ministro também determinou que o pedido de investigação contra o ex-ministro Edinho Silva (Comunicação Social) seja enviado à Justiça Federal de Brasília. Ele foi acusado por Delcídio de ;esquentar; doações eleitorais por meio de pagamento de fornecedores da campanha do ex-senador com ajuda do laboratório EMS.


Divididos

Quem faz parte do Centrão

PP, PR, PSD, PRB, PTB, SD, PTN,
PSC, PHS, Pros, PEN, PSL
Total: 216 deputados

Quem faz parte do Centrinho
PSDB, PSB, DEM, PPS e, talvez, o PV
Total: 119 deputados (125 com o PV)

Bloco PMDB
Total: 67 deputados

Bloco de oposição
PT-PDT-PCdoB-PSol
Total: 95 deputados

Bloco independente
Rede, PTdoB, PMDB e PRP
Total: 9 deputados



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