Mudança estrutural progressiva com horizonte para 2030

Mudança estrutural progressiva com horizonte para 2030

» ALICIA BÁRCENA Secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal)
postado em 20/05/2016 00:00
O mundo vive hoje uma mudança de época. O aumento sem precedentes da desigualdade global, os efeitos cada vez mais intensos da mudança climática e a revolução tecnológica que multiplica capacidades e ameaça o emprego indicam que o estilo de desenvolvimento prevalecente tornou-se insustentável. Esses desequilíbrios têm mobilizado a comunidade internacional, que propôs um caminho para 2030, uma Agenda para o Desenvolvimento Sustentável que reflete a amplitude e urgência dos desafios globais e que colocou o combate à desigualdade em seu centro.

Materializar os objetivos de desenvolvimento sustentável exige colocar em prática e consolidar instrumentos específicos para sua implementação. Para essa finalidade, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) propõe complementar a Agenda 2030 desde a perspectiva estruturalista do desenvolvimento e desde o ponto de vista dos países da América Latina e do Caribe.

A proposta Cepalina é regida pela mudança estrutural progressiva e sustentável: um processo de transformação para atividades e processos produtivos que 1) sejam intensivos em aprendizagem e inovação, 2) estejam associados a mercados e à provisão de bens e serviços em rápida expansão, que permitam aumentar a produção e o emprego, e 3) favoreçam a proteção do meio ambiente e o desacople entre o crescimento econômico com as emissões de carbono.

Para alcançar essa mudança é necessário novo conjunto de instituições e coalizões políticas que as promovam no âmbito global, regional, nacional e local. A integração regional também deve ser potencializada, pois configura o espaço mais natural para a criação de encadeamentos produtivos, aproveitando a proximidade geográfica e a complementariedade entre as economias nacionais. É essencial fortalecer a rede de segurança financeira regional, coordenar as políticas fiscais e de atração de investimento estrangeiro direto, avançar na criação de um mercado único digital e articular um fundo de resiliência para os países do Caribe.

É o momento de dar grande impulso ambiental na América Latina e no Caribe, ou seja, gerar um pacote integrado de investimentos públicos e privados coordenado em diferentes áreas para redefinir os padrões energéticos, de produção e consumo, baseados na aprendizagem e na inovação. Isto demanda elevar o investimento em infraestrutura, energia e inovações tecnológicas para deter a deterioração ambiental. Ao mesmo tempo, é necessário adotar políticas sociais que permitam o acesso universal à saúde e à educação, e que busquem alcançar o pleno emprego.

Estas políticas têm um grande impacto sobre a produtividade. Mas a produtividade e a universalização de direitos devem caminhar lado a lado: um não é sustentável sem o outro. Apesar da adversidade do contexto econômico que a região enfrenta, o momento atual abre caminhos esperançosos. Para isso apontam as propostas que a Cepal apresentará durante sua reunião bienal mais importante: o trigésimo sexto Período de Sessões, que será realizado de 23 a 27 deste mês, na Cidade do México, com a participação de altas autoridades de nossa região.

Surgiu uma ambiciosa e urgente agenda com o crescimento, a sustentabilidade e a igualdade no centro. Diante dela, latino-americanos e caribenhos devemos ser protagonistas de nosso desenvolvimento. De nossa própria realidade, reconhecendo dificuldades e potencialidades, imaginando o amanhã a partir do Sul.

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