Hillary proclama vitória

Hillary proclama vitória

Faltam 90 delegados para a nomeação, mas a favorita democrata se declara candidata à Casa Branca

postado em 20/05/2016 00:00
 (foto: John Sommers II/AFP)
(foto: John Sommers II/AFP)

Desgastada pela batalha incessante pela candidatura presidencial democrata com o senador Bernie Sanders, enquanto o bilionário Donald Trump trata de agrupar a oposição republicana em torna de seu nome na eleição de novembro, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton decidiu ontem proclamar-se publicamente a escolhida na legenda governista para disputar a sucessão de Barack Obama. ;Serei a candidata do meu partido;, disse em entrevista à tevê CNN. ;Isso já é um fato. Na verdade, não há forma de que não seja.;

Hillary sustentou que ela e o rival democrata têm a responsabilidade de ;unificar o partido; pelo bem do sucesso na disputa contra Trump. Segundo a ex-senadora e ex-primeira-dama, que lidera com ampla vantagem a disputa pelos delegados à convenção partidária de julho, Sanders ;tem de fazer sua parte; pela união dos democratas. ;Ele disse há alguns dias que fará o possível para derrotar Trump e trabalhará sete dias por semana para isso. Tenho a palavra dele, e espero que o senador Sanders faça o que está dizendo.;

A virtual candidata da legenda governista vem de mais um resultado dividido nas primárias da última terça-feira. Venceu por margem ínfima em Kentucky e foi derrotada por Sanders em Oregon. No total, Hillary soma 2.293 convencionais (incluindo 525 superdelegados, que são livres para votar na convenção). Precisa de mais 90 para garantir a nomeação. Sanders, que soma 1.533, aposta todas as fichas em uma vitória consagradora na Califórnia ; o estado com o maior número de delegados), em junho, para virar o jogo na convenção de julho na Filadélfia.

Invocando a própria experiência de 2008, quando foi vencida na disputa interna por Barack Obama, Hillary se disse confiante de que o partido entrará unido na campanha eleitoral do segundo semestre. ;Quando retirei minha candidatura e apoiei o senador Obama, quase 40% dos meus eleitores diziam que nunca votariam nele;, lembrou. ;Trabalhei muito para ajudá-lo a vencer, e estou certa de que o senador Sanders fará o mesmo.;

;Estupro;
No campo oposicionista, enquanto manobra cuidadosamente para recompor a unidade do Partido Republicano, depois de uma campanha acirrada, Trump concentra os ataques na provável adversária que enfrentará em novembro. Ontem, o magnata nova-iorquino voltou a explorar o histórico de infidelidade conjugal do marido de Hillary, o ex-presidente Bill Clinton, a quem acusou de estupro.

Envolvido em uma controvérsia com o jornal The New York Times por alegações sobre a própria conduta com mulheres, no passado, Trump disse à tevê Fox News que os incidentes do casal Clinton são ;muito piores;. ;Vejam o que ela passou e todas as coisas que ele fez;, provocou.

O jornalista ultraconservador Sean Hannity lembrou algumas acusações contra o ex-presidente. ;Em um caso, tratou-se de exposição indevida. Em outro caso, ele tocou uma mulher contra a vontade dela;, relatou. ;É estupro;, sentenciou Trump. ;É estupro;, concordou o âncora da Fox. O comitê de campanha da candidata democrata respondeu prontamente, acusando o rival de ter assumido posições machistas e misóginas. ;Trump está fazendo o que sabe fazer melhor: atacar quando se sente ferido e arrastar os americanos para a lama em benefício próprio;, comentou o porta-voz Nick Merrill.

Bill Clinton sobreviveu em 1998 a um processo de impeachment movido pela maioria republicana no Congresso por conta do caso extraconjugal mantido, no exercício do mandato, com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. Falando sobre o assunto, recentemente, Trump classificou o ex-presidente como ;um dos piores abusadores de mulheres da nossa história política;.


;Serei a candidata do meu partido. Isso já é um fato;
Hillary Clinton, presidenciável do Partido Democrata


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação