Oposição aumenta a pressão internacional

Oposição aumenta a pressão internacional

postado em 20/05/2016 00:00
 (foto: Brendan Smialowski/AFP
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(foto: Brendan Smialowski/AFP )


A oposição venezuelana investe na pressão internacional com o objetivo de respaldar a realização de um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, enquanto, internamente, o país vive uma guerra institucional ; depois de o Parlamento, de maioria opositora, rejeitar um decreto de estado de exceção, o Tribunal Supremo de Justiça, formado por ministros indicados por Maduro, considerou, ontem à noite, a medida constitucional, dando sinal verde ao presidente.

Em Washington, uma comissão de parlamentares pediu ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, que invoque a Carta Democrática Interamericana, mecanismo previsto em caso de ruptura do marco democrático em algum Estado membro.

Com a medida, a OEA poderia suspender a participação da Venezuela, isolando o país na comunidade internacional. ;É nosso dever, como venezuelanos, deputados e patriotas, defender a democracia e a institucionalidade, e, por isso, hoje aplicamos instrumentos jurídicos nacionais e internacionais como a Carta da OEA pela paz que o povo da Venezuela merece;, afirmou Florido, presidente da Comissão de Política Externa da Assembleia Nacional.

Na véspera, Almagro afirmou que Maduro será um ;ditadorzinho; se bloquear o referendo, levando o líder venezuelano a chamá-lo de ;lixo;. Diante da polêmica, o ex-presidente do Uruguai (2010-2015) José Mujica, que foi muito próximo ao chavismo, disse que Maduro está ;louco como uma cabra;.

Diálogo
Em Caracas, o líder da oposição Henrique Capriles e o presidente do parlamento, Henry Ramos Allup, se reuniram com o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e com o ex-presidente panamenho Martín Torrijos, que estão na capital da venezuelana em busca de uma saída negociada para a crise. Na noite anterior, Zapatero e Torrijos estiveram com Maduro. ;Pedirei à comunidade internacional que apoie um grande diálogo nacional e que possamos ter, em um prazo razoável, uma agenda;, declarou o espanhol.

No centro da polêmica, está o início do processo para a realização de um referendo revogatório contra Maduro. A Mesa da Unidade Democrática (MUD) exige que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado de ser aliado de Maduro, acelere a revisão de um mínimo de 200 mil assinaturas, exigidas por lei, de um total de 1,8 milhão entregue em 2 de maio. De acordo com a empresa de pesquisas Datanálisis, 70% dos venezuelanos apoiam uma mudança de governo. Para revogar Maduro, a oposição precisa de uma votação de mais de 7,5 milhões de pessoas, número com o qual o governante foi eleito em abril de 2013.

Acuado, Maduro decretou estado de exceção no fim de semana passado. Em uma das medidas, arregimentou 519 mil militares e milicianos para exercícios de defesa hoje e amanhã, como forma de defender o país de ;ameaças externas;. Para o cientista político Benigno Alarcón, da Universidade Católica Andrés Bello, essas ;grandes mobilizações; buscam gerar temor no povo. ;Realizá-las com a desculpa das ameaças externas é demonstrar que está a postos;, afirmou. Na quarta-feira, após manifestações por todo o país, Maduro advertiu ter preparado um decreto de ;comoção interna; que será utilizado se forem desencadeados atos ;golpistas violentos;, o que implicaria restrições às liberdades civis.

Na Argentina, derrota de Macri
A oposição na Argentina conseguiu aprovar ontem a lei antidemissão, na primeira derrota legislativa sofrida pelo presidente Mauricio Macri, que se opôs abertamente à proposta. A iniciativa lançada pelos kirchneristas com o apoio sindical, e que já havia recebido o aval do Senado, recebeu 145 votos a favor, 3 contra e 90 abstenções. Macri deve anunciar o veto ao projeto hoje. Líderes sindicais advertiram que vão convocar uma greve geral. O projeto propõe declarar emergência ocupacional por seis meses, período durante o qual um trabalhador demitido sem justa causa poderá solicitar sua reintegração imediata ou receber uma dupla indenização. Segundo a imprensa, a abstenção dos deputados da aliança governante de centro-direita foi crucial para a aprovação da lei.


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