Novos alvos contra o zika

Novos alvos contra o zika

postado em 20/05/2016 00:00
 (foto: Idor/Divulgação
)
(foto: Idor/Divulgação )
Pesquisas divulgadas hoje esclarecem os mecanismos de ataque do vírus zika e oferecem estratégias para combater o avanço dele. Na Cell Host & Microbe, pesquisadores da Escola de Icahn de Medicina do Mount Sinai e dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), ambos nos Estados Unidos, detalham o porquê de o patógeno infectar apenas primatas e apontam um alvo promissor para vacinas: a proteína NS5. Uma das sete proteínas não estruturais do zika, a NS5 é especializada em bloquear a ação de interferões %u2014 proteínas que param a replicação viral %u2014 humanos, e não de outros animais, como ratos. %u201CPara a nossa surpresa, a capacidade de o zika inibir a sinalização de interferões em células humanas é mais semelhante ao vírus da dengue e não à de seu parente mais próximo, o vírus spondweni%u201D, diz Adolfo García-Sastre, autor sênior do estudo. O alvo partilhado é a STAT2, uma proteína que comunica as células sobre a necessidade de ativar genes antivirais induzidos pelos interferões. A atuação dos vírus, contudo, tem uma diferença: a forma como a proteína viral NS5 degrada a STAT2 é única para o zika. As engrenagens do sistema, por enquanto, são desconhecidas pelos cientistas. Devido ao papel relevante na infecção, estratégias que alterem ou removam a NS5 do zika permitiriam que as próprias defesas imunológicas do corpo humano atacassem o patógeno sem dificuldade. Seria possível também construir uma vacina contendo uma forma viva e enfraquecida do vírus e de sua proteína essencial, apontam os estudiosos. A perspectiva, contudo, é distante. Testes virtuais Para cientistas da Universidade Rutgers (EUA), uma vacina poderia ser encontrada mais rápido com a ajuda da supercomputação. O projeto OpenZika emprega uma equipe global de cientistas e voluntários que testarão, virtualmente, como drogas atuais e milhares de compostos em bases de dados reagem a modelos estruturais de proteínas do zika. Os resultados são abertos e poderão ser compartilhados rapidamente, permitindo que compostos mais promissores sejam analisados em laboratório. %u201CEm vez de esperar vários anos e até mesmo décadas para testar todos esses compostos a fim de encontrar alguns que possam formar a base de medicamentos antivirais para curar a zika, vamos realizar esses testes iniciais em questão de meses usando o poder da computação%u201D, diz Alex Perryman, investigador principal do OpenZika. Interessados em participar do projeto devem se inscrever no site World Community Grid e não precisam ter conhecimentos específicos, obrigações financeiras nem responsabilidade com horário. A única tarefa é instalar um aplicativo em seus dispositivos Windows, Mac, Linux ou Android. O software executa automaticamente experimentos virtuais sempre que as máquinas estão ociosas.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação