Indústria se mobiliza pela produção de gás

Indústria se mobiliza pela produção de gás

» Simone Kafruni
postado em 16/06/2016 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 11/3/11)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 11/3/11)


Indústrias e empresas grandes consumidoras de energia estão preocupadas com um possível vácuo provocado pela saída da Petrobras da cadeia de gás natural. Como a estatal é responsável por 94% da produção do insumo, a reestruturação dos negócios da petroleira, que prevê venda de ativos e foco na extração de petróleo, multiplicou os desafios do setor.

Para voltar a atrair investidores privados e atender o aumento na demanda pelo gás, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace) debatem hoje cenários globais, oportunidades e propõem uma agenda regulatória, com avaliação de riscos e perspectivas. As entidades entendem que a oferta de gás natural a preços compatíveis com o mercado internacional é decisiva para reduzir os custos de produção e garantir competitividade à economia brasileira.

Atualmente, além de ser responsável por 94% da produção de gás, a Petrobras compra o combustível de outros produtores, faz o processamento, transporta e vende às distribuidoras. A estatal liderou o desenvolvimento da indústria de gás e também é responsável pela importação do combustível, cuja participação na matriz energética do país passou de 4% em 1999 para 13,5% em 2014.

Na avaliação da CNI e da Abrace, é necessário promover a entrada de novos investidores no mercado, aumentando a concorrência e a produção a fim de diminuir a dependência das importações. ;O gás natural é um insumo importante para produção de energia elétrica e para o desenvolvimento da indústria. Por isso, a necessidade de oferta abundante e confiável de gás a preços competitivos;, afirma o especialista em energia da CNI, Rodrigo Garcia.

Conforme dados da Abrace, o preço do gás natural no Brasil aumentou 148% entre 2007 e 2016. A oferta do produto é insuficiente para atender o consumo. Em dezembro de 2015, a produção nacional alcançou 52,15 milhões de metros cúbicos por dia, para uma demanda de 98,63 milhões de m;/dia registrados no ano passado.

Para atrair novos investimentos, a Abrace e a CNI propõem a revisão da legislação, a desconcentração e desverticalização da cadeia, e a regulação do acesso de terceiros ao sistema de escoamento, tratamento e regaseificação do GNL. A criação de um operador nacional independente para os gasodutos, a flexibilização da oferta e da demanda e a organização de leilões de compra por termelétricas e distribuidoras.


  • Desinvestimento

    A Petrobras informou à Comissão de Valores Mobiliário que ;iniciou processo competitivo para a venda da Liquigás Distribuidora;, subsidiária que atua no engarrafamento, distribuição e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de botijão. A venda da Liquigás faz parte do programa de desinvestimento da Petrobras.

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