Credibilidade é indispensável

Credibilidade é indispensável

postado em 16/06/2016 00:00


Cortar gastos e rever prioridades são lições básicas para reequilibrar as contas e, assim, sair do vermelho. Nos últimos anos, essa foi uma das maiores cobranças de aliados e opositores do governo. À medida que a crise econômica adquiriu contornos mais graves ante o crescimento do deficit fiscal, o Congresso e o setor produtivo cobraram a necessidade de enxugamento da administração pública, a redefinição de políticas públicas e dos investimentos do Estado. Nenhuma medida surtiu efeito. O desemprego ganhou dimensões e, hoje, afeta mais de 11 milhões de trabalhadores.

Diante do descontrole das contas públicas e das dificuldades de o governo Dilma Rousseff recuperar a saúde financeira do Estado, o país perdeu credibilidade. As três principais agências de classificação de risco ; Fitch, Standard;s e Moody;s ; retiraram do Brasil o selo de bom pagador. Investidores estrangeiros e nacionais deixaram na gaveta planos de investimento e de expansão de negócios no país.

Credibilidade é a palavra-chave para remover barreiras, atrair capital e estimular o setor produtivo, abrindo oportunidades de emprego e geração de renda. Com o impeachment de Dilma, a ascensão do vice Michel Temer ao cargo de presidente interino e a formação de uma equipe econômica com renomados e respeitados profissionais, em pouco mais de um mês, levou o mercado a dar sinais promissores, como a queda de dólar e mais negócios na Bolsa de Valores.

No entanto, os equívocos cometidos pelo Ministério do Planejamento estremecem o processo de reconstrução dos caminhos direcionados ao reequilíbrio das finanças públicas. O presidente Temer se viu, há poucos dias, obrigado a admitir que o reajuste dos ministros do Supremo Tribunal Federal terá efeito cascata, com forte impacto sobre o caixa de municípios e estados. Deixou clara a disposição de vetar o aumento, mas o projeto ainda se encontra no Senado.

Agora, o Planejamento reconhece que errou ao calcular o tamanho do aumento salarial do funcionalismo aprovado pelo Congresso, que elevará em R$ 67,7 bilhões os gastos do Executivo, e não em R$ 52,9 bilhões como havia previsto. A quantia somada ao rombo fiscal de R$ 170,5 bilhões, conforme aferiu o Ministério da Fazenda, torna cada vez mais distante a via para o saneamento das contas públicas. A exigência de que o governo provisório não pode errar vai além dos aspectos políticos que a envolvem. Trata-se de necessidade premente face à crise que o país enfrenta pelo descontrole que pautou a gestão de Dilma.

A elevação dos custos operacionais da máquina pública implicará redução da capacidade de investimento do Estado e, inevitavelmente, afetará áreas essenciais como saúde, educação, segurança e programas sociais de elevada importância para os segmentos menos privilegiados da sociedade. Cabe ao governo, neste momento de afirmação e de recuperação da credibilidade do país, rever as contas e estabelecer prioridades que mitiguem os sacrifícios impostos à maioria dos cidadãos.

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