Do alto de toda a experiência

Do alto de toda a experiência

Seleção masculina de vôlei, que estreia na Liga Mundial, terá o elenco mais velho de todas as equipes nos Jogos do Rio

Maíra Nunes
postado em 16/06/2016 00:00
 (foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)
(foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)


A Seleção Brasileira masculina de vôlei estreia na Liga Mundial hoje, às 14h10, contra o Irã. O último compromisso antes de lutar pelo tricampeonato olímpico nos Jogos do Rio começa justamente na capital carioca ; antes de partir rumo à Europa, a equipe ainda enfrenta Argentina, amanhã, e Estados Unidos, no sábado. Essa é a oportunidade de sentir o gostinho ; e a pressão ; de atuar em casa. Para encarar o desafio, o Brasil aposta na experiência. Com base nos elencos inscritos na Liga Mundial, levantamento do Correio mostra que o grupo comandado por Bernardinho será o mais velho na disputa da Rio-2016.

A média de idade dos 16 jogadores que estão sob o olhar criterioso do técnico da Seleção ; ele terá de cortar quatro do plantel para a Rio-2016 ; é 30,4 anos. O líbero Serginho, que atua em alto nível aos 40 anos, aparece como um dos responsáveis por puxar essa conta para cima. O outro a subir a média poderá, contraditoriamente, fazer a estreia dele em Olimpíadas em plenos 37 anos. Trata-se de William, o segundo levantador da equipe.

;A Seleção conta com dois atletas mais acima da curva, mas que atuam em posições específicas que requerem mais experiência mesmo;, explica Ricardo Tabach, assistente técnico do Brasil. O ponteiro Murilo, duas vezes vice-campeão olímpico, é o outro veterano a resistir ao passar do tempo.

Além de garantirem a longevidade da carreira com qualidade, os jogadores mais calibrados contribuem na formação do coletivo da equipe. ;Os valores que eles trazem das experiências anteriores ajudam a fortalecer o grupo dentro e fora de quadra, no dia a dia do treinamento. Isso é fundamental, principalmente em uma Olimpíada;, ressalta Tabash.

Nessa Seleção, sobraram poucos novinhos. Douglas Souza aparece como o principal deles. Aos 20 anos, o ponteiro é o mais jovem do grupo, seguido por Lucarelli, com 24. Além dos dois, apenas quatro atletas do elenco ainda não completaram três décadas de vida: Isac, 25; Maurício Souza, 27; Maurício Borges, 27; e Wallace, 29. ;O Brasil sempre teve muito problema de jogar em casa. Nas Olimpíadas do Rio, tem de contar com a experiência de jogadores que já disputaram muitas finais de Superligas e Mundiais;, aprova o argentino Marcelo Mendez, técnico do tetracampeão brasileiro, Sada Cruzeiro.

A média de idade elevada, porém, levanta desconfiança em relação à renovação da Seleção, acostumada a subir no pódio nas principais competições mundiais ; desde 1984, nos Jogos de Los Angeles, foram cinco medalhas olímpicas e nove taças da Liga Mundial. ;Acho que para estes Jogos Olímpicos o Brasil está bem representado. A preocupação tem de ser grande para o futuro, porque o país não tem revelado tantos bons jogadores como fazia;, pondera Mendez. Os jovens talentos ficam por conta de Douglas Souza e Lucarelli. Há ainda a ;geração intermediária;, que abrange os trintões, como Bruninho e Lucão.

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