Estrela brasiliense

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Estudante foi aprovado em 12 universidades nos Estados Unidos e vai começar as aulas em Harvard no próximo semestre

» MARIANA NIEDERAUER ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 16/06/2016 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 21/1/16)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 21/1/16)



O segundo semestre de 2016 começará de forma especial para o brasiliense Pedro Farias, 17 anos. No fim de agosto, ele terá as primeiras aulas na Universidade de Harvard, em Boston, uma das 15 instituições de ensino superior americanas em que se inscreveu. Além da resposta positiva da universidade mundialmente reconhecida, ele foi aceito em 11, entre elas as igualmente bem avaliadas Yale, Stanford, Princeton e Columbia. ;Eu fiquei surpreso, porque são instituições muito boas e que todos os anos têm de falar não para vários candidatos qualificados. Você precisa achar um jeito de se distinguir entre eles;, observa.

A maneira que Pedro encontrou de fazer isso foi com a dedicação e a organização para cumprir prazos e exigências da cada instituição e alcançar o sonho que alimenta desde a infância: estudar nos Estados Unidos. O primeiro passo foi definir uma região para restringir a busca. Ele escolheu a chamada New England, que inclui estados como Rhode Island, Connecticut e Massachusetts, onde ele vai estudar.

A partir daí, começou a pesquisar as que oferecem os melhores cursos na área que escolheu, a de ciência da computação, e também as que têm boas propostas extracurriculares. ;Eu escolhi Harvard não só pelo currículo acadêmico excelente, mas também porque tem diversas oportunidades extracurriculares. Uma das coisas que me impressionaram foi que o grupo de brasileiros lá é muito bem organizado;, afirma. ;Harvard tem uma excelente reputação. Mas eu não recomendo escolher a universidade por reputação, é mais sobre a sua compatibilidade (com a instituição);, completa.

A opção pelo ensino superior nos Estados Unidos também possibilitará que ele decida o curso que fará durante o processo de formação. ;Nos Estados Unidos, você tem a oportunidade de fazer um curso secundário ao mesmo tempo, e acho que eu faria ciência política ou economia. Mas também tenho a possibilidade de mudar, então vou fazer aulas em diferentes áreas para decidir exatamente o que eu quero.;

Barry Dequanne, diretor-geral da Escola Americana, onde Pedro concluiu o ensino médio no primeiro semestre do ano, explica que é importante o aluno analisar, além do currículo acadêmico, o porte da universidade, as áreas do conhecimento mais valorizadas por ela, entre outros fatores. Aplicar para mais de uma instituição também é uma das orientações que os alunos recebem. Eles devem tentar tanto as que tenham processos seletivos muito rigorosos quanto aquelas em que se consegue entrar com mais facilidade. ;Acho que a principal dica é você se dedicar a alcançar o objetivo que almeja, fazer a pesquisa necessária, aprender bem a língua;, elenca Pedro Farias. ;Isso requer dedicação e comprometimento;, finaliza.

Passo a passo

Quem pretende seguir o exemplo do estudante brasiliense e concretizar o objetivo de cursar o ensino superior fora do país deve, primeiro, pesquisar informações nos sites das próprias instituições de ensino, para se inteirar sobre a documentação necessária e os prazos. Importante lembrar que, em muitos países, o semestre letivo começa em agosto e os processos costumam ter início um ano antes.

Cristiana Vieira, gerente de universidades no exterior da Student Travel Bureau (STB), explica que as instituições costumam embasar as seleções em critérios objetivos e subjetivos. Os primeiros incluem o histórico escolar do ensino médio, teste de proficiência no idioma ; principalmente o Test of English as a Foreign Language (Toefl) e o International English Language Testing System (Ielts) para países de língua inglesa ; e, em alguns casos, outros testes acadêmicos, como é o caso do Scholastic Aptitude Test (SAT) nos Estados Unidos. Nos critérios subjetivos entram cartas de recomendação, atividades extracurriculares ; como prática de esportes, participação em projetos de voluntariado e hobbies ;, além de redação escrita pelo próprio candidato. ;Isso é bem forte nos Estados Unidos; já no Canadá, no Reino Unido e na Austrália é mais centrado na parte objetiva;, afirma a especialista.

Pesquisa divulgada em maio deste ano pela Associação das Agências de Intercâmbio (Belta) mostrou que os cursos de graduação foram a segunda modalidade de intercâmbio mais buscada pelos brasileiros no ano passado, atrás apenas dos cursos de idioma no exterior (veja o quadro). Para o diretor de operações da associação, Allan Mitelmão, os resultados do levantamento mostram que as pessoas estão vendo o intercâmbio como uma oportunidade de construir a carreira com cursos de duração maior, e não apenas durante as férias. ;Claramente você tem aí uma busca de mudança de status;, analisa. Por isso, é importante que essa meta se encaixe no plano familiar, levando em consideração, inclusive, os custos. ;Não é algo que se possa ter por impulso: é um planejamento de vida.;

Entre os países mais procurados, o Canadá ganhou destaque e ocupou a segunda posição, perdendo apenas para os Estados Unidos. O aumento está relacionado, na avaliação de Mitelmão, à divulgação feita pelas instituições do país em eventos do setor e aos preços mais baixos com relação aos cursos americanos, sem deixar a desejar na qualidade do ensino. Além disso, há a opção de trabalhar no país por três anos após a conclusão do curso superior.

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