Alta roda

Alta roda

por Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br
postado em 16/06/2016 00:00
Década perdida

Há apenas o consenso de fundo do poço em 2016

Se a onda de desânimo e a falta de confiança de compradores e investidores levaram à penosa situação atual do mercado, alguma luz de esperança começa a surgir para 2017. Esse foi um dos principais indicadores do seminário Revisão das perspectivas 2016, da AutoData, esta semana em São Paulo.

Até agora nenhum executivo quis se comprometer sobre o que pode ocorrer no próximo ano. Há apenas o consenso de fundo do poço em 2016. A Anfavea prefere esperar mais dados, nos próximos meses, para rever números. Mas surge o sentimento de que as mudanças econômicas em curso melhorariam o humor de pessoas e empresas. O novo presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe, previu crescimento do PIB de forma bastante modesta em 2017: apenas 1,3%.

Esse patamar o autoriza a estimar que a produção de veículos leves e pesados subirá 2,7% no ano que vem, incluindo mercado interno e exportações. Se parece um alívio, Ioschpe deixou claro: ;Sempre é bom voltar a crescer, mas igualar os números recordes de 2013, por enquanto, não vislumbro antes de 2023;.

Nas palestras, houve reconhecimento do artificialismo que inflou as vendas no passado recente, conduzindo ao excesso de capacidade e à redução do nível de emprego. Importante, porém, saber que o mercado brasileiro não está saturado. Alguns esperam um sinal positivo de recuperação da confiança para ;acordar; os compradores. Vendas represadas trariam condições de encurtar essa nova década perdida para o setor automobilístico.

Outro debate foi a liberação sumária para automóveis a diesel por meio de um projeto de lei em discussão na Câmara dos Deputados. A Cummins e a consultoria Power Systems Research apresentaram argumentos contrários, enquanto FPT Industrial e MWM mostraram-se favoráveis, talvez com a expectativa de produzir aqui estes motores, algo muito improvável, pois seriam importados. A Anfavea reafirmou sua desaprovação, entre outros motivos, pelos investimentos já feitos para melhorar o consumo dos motores atuais.

O assunto diesel não é novo. Dois projetos de lei anteriores foram arquivados. Depois de toda a confusão envolvendo emissões poluentes desse combustível no exterior nos últimos nove meses, pairam dúvidas sobre as reais razões de reabertura do tema. Se a referência for CO2, não há condições de o diesel competir com bioetanol de cana-de-açúcar no Brasil. Pelo contrário, só danificará a matriz energética do País.

Miguel Fonseca, vice-presidente da Toyota, reafirmou a aposta da empresa em híbridos (motores a gasolina ou flex, no caso brasileiro, auxiliados por motor elétrico) e nas pilhas a hidrogênio para automóveis puramente elétricos. Ele acredita que 40% das vendas da marca na América Latina ; até 2030 ; virão dessas duas opções. E, em 2050, a totalidade de sua comercialização no mundo. Significa que motor a combustão não acaba tão cedo.


Roda viva

INVESTIMENTO

A inauguração da fábrica do grupo Jaguar Land Rover, em Itatiaia (RJ), fecha o ciclo de novos entrantes para produção de modelos mais caros. Capacidade: 24.000 unidades/ano. Os modelos Range Rover Evoque e Discovery Sport têm índice de nacionalização inicial em torno de 40%. Anteriormente, a Land Rover montou o Defender em São Bernardo do Campo (SP) de 1998 a 2005.

PODER
Apesar da situação do mercado de veículos (quase 50% de queda acumulada nas vendas em dois anos), o País não perdeu tanto protagonismo na região. A Volkswagen é mais um grupo a ampliar a abrangência administrativa de seu principal executivo no Brasil. O sul-africano David Powels responde agora pela América do Sul, América Central e pelo Caribe.

MOTORZÃO

A BMW M2 chega este mês às lojas como um cupê compacto de tração traseira (partilha a mesma arquitetura do hatch Série 1) de desempenho excepcional: acelera de 0 a 100km/h em apenas 4,3s. Utiliza um raro, nos dias de hoje, motor turbo de 6 cilindros em linha, 3l, 370cv e nada menos de 47,4kgfm. Preço de R$ 379.950,00, ou mais de R$ 1.000 por cavalo.

CÂMBIO
A escalada de oferta de câmbios automáticos em carros compactos inclui os Nissan March e Versa, nas versões de 1,6l. A marca japonesa optou por um CVT (marchas infinitas dentro de intervalo fixo de maior e menor redução), mais adequado a uma condução urbana moderada. Poupa combustível, mas é encarecido pela importação: a opção custa R$ 4.800.

BOA COMPRA
Segundo pesquisa da J.D. Power do Brasil, subiu o índice de satisfação no processo de compra de veículos novos. Com menos interessados para atender, as concessionárias estão se esforçando mais para vender e procurando fidelizar os clientes. Índice de avaliação positiva subiu de 774 pontos (numa escala até 1.000), em 2015, para 793 pontos este ano.

ÓLEO
Está disponível aqui no Brasil o óleo sintético de última geração cujo foco é manter a capacidade de lubrificação em temperaturas altas. Essas condições ocorrem em motores modernos de baixa cilindrada e alta potência. Parceira da Mercedes-Benz na F-1, Petronas desenvolveu o Syntium CoolTech para maior dissipação de calor nos motores de competição.




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