Prévia do PIB recua 5,4%

Prévia do PIB recua 5,4%

Índice do BC que mede a atividade econômica teve a maior queda em 12 meses da série histórica. Retração é a 17ª nesse tipo de comparação. Ligeira alta de abril, de 0,03%, não reverteu o quadro recessivo, já considerado o pior desde a crise de 2009

» RODOLFO COSTA
postado em 17/06/2016 00:00

A economia brasileira chegou ao fundo do poço. O contexto, no entanto, não é completamente ruim. Em abril, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) ; conhecido como a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) ; apresentou um ligeiro crescimento de 0,03% em relação a março. Analistas destacam que essa estabilidade não apenas interrompe uma série de 15 quedas consecutivas na base de comparação como pode indicar o início de alguma recuperação da atividade. Mas não há muito o que comemorar.

No acumulado de 12 meses, o IBC-Br registrou queda de 5,4%. Foi a pior nessa base comparativa em toda a série histórica do indicador, mantendo um resultado negativo pelo 17; mês consecutivo. Para se ter uma ideia do tamanho da recessão, em 2009 ; ano da última crise brasileira ;, o índice recuou consecutivamente por oito meses, de junho daquele ano a janeiro de 2010. E o pico da crise naquele período foi uma retração de 3% em novembro.

Entre janeiro e abril deste ano, o indicador calculado pelo BC caiu 6% ; a pior retração registrada no período. O tombo da atividade não poderia ser diferente, dado o ritmo de deterioração conjuntural provocada pelas crises política, fiscal e de consumo, confiança e investimentos. Na opinião do analista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, a retomada da atividade passa inevitavelmente pela recuperação de todos os fatores e fundamentos econômicos, mas a estabilidade no mês representa um sinal positivo. Ainda que moderado.

;Estanca uma sequência ininterrupta de mais de um ano de queda;, destacou. Na avaliação de Bacciotti, a alta marginal é justificada pela estabilização da produção industrial, que, em abril, cresceu 0,1%, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o dólar em patamar favorável às exportações de manufaturados, alguns segmentos se aproveitam do aumento da demanda externa. Entretanto, ele lembra que o consumo doméstico segue muito fraco.

Causas


E não tem como ser diferente, com a inflação corroendo o orçamento das famílias, o crédito caro e o aumento do desemprego, o temor do endividamento cresce e a atividade econômica paralisa. Devido a isso, o setor terciário ; composto pelo comércio e serviços ; registra queda de vendas e receitas, provocando menor volume de geração de riquezas.

Para reverter esse quadro, será necessário que o governo ganhe a confiança dos demais setores produtivos e dos consumidores, avalia o economista-sênior da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes. Ele considera que será necessário apresentar ao mercado uma política fiscal de equilíbrio das contas públicas, e uma política monetária de controle da inflação.

Com isso, Bentes vislumbra a possibilidade de retomada da confiança dos agentes econômicos, que, ao acreditar que os riscos na economia diminuiram, poderão remarcar menos os preços no mercado de bens e serviços e reduzir o enxugamento do quadro de funcionários. ;A imprevisibilidade quanto aos rumos da política continua enorme. É preciso recuperar a confiança para, gradativamente, retomar a economia;, ponderou.

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