Os reis da noite

Os reis da noite

Apesar de tantos problemas, a cidade mantém a vocação musical. Artistas e grupos locais lotam casas e fazem sucesso com o público

Irlam Rocha Lima
postado em 19/06/2016 00:00
 (foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press - 10/11/11)
(foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press - 10/11/11)

Brasília é uma cidade bastante receptiva aos artistas consagrados de diferentes gêneros musicais do Brasil e do exterior que passam por aqui com turnês. Praticamente todos os shows que eles fazem em teatros, casas noturnas e espaços maiores, como o Ginásio Nilson Nelson e o Estádio Nacional Mané Garrincha, são assistidos por grandes plateias.

Mas há também, entre cantores, grupos e bandas brasilienses, aqueles que detêm popularidade e conseguem reunir um número expressivo de pessoas para vê-los e ouvi-los ; é certo que em lugares menores ;, há até os que conquistaram uma pequena legião de fãs.

Todos cativam os espectadores, enquanto intérpretes, homenageando seus ídolos, que podem ser Pixinguinha, Cartola, Jorge Ben Jor, Renato Russo, Luiz Gonzaga, Chitãozinho & Xororó ou Beatles e U2. Embora sejam vistos como ;covers;, tem quem busque incluir em seu repertório, composições autorais. O Correio conta breve história de alguns deles, dessa turma de excelência musical que lota as casas onde se apresentam.




Choro Livre
Com quase 40 anos de carreira, o Choro Livre é uma das maiores referências do chorinho no Brasil. Criado por Reco do Bandolim e Alencar 7 Cordas, entre outros músicos, o regional possui cinco discos lançados, é residente do Espaço Cultural do Choro, já excursionou por vário países da Europa, da Ásia e da América do Norte. ;Atualmente, o grupo conta, em sua maioria, com jovens músicos, o que nos permite fazer um link entre a tradição e a modernidade, ao interpretar um repertório que vai de choros clássicos a temas de nossa autoria;, explica Reco, único remanescente da formação original. ;Além de nossos shows, costumamos acompanhar instrumentistas consagrados que vêm participar dos projetos do Clube do Choro, e temos ótima resposta do público;, complementa. O álbum mais recente, voltado para o exterior, traz desde Aquarela do Brasil (Ary Barroso) a Suíte retratos (Radamés Gnattali).


Let It Beatles
Uma das maiores referências no país quando o assunto é a melhor banda de todos os tempos, a brasiliense Let It Beatles, com uma trajetória de 14 anos, é popularíssima na cidade. Mesmo se apresentando em vários locais, há 14 anos toca uma vez por mês no Feitiço Mineiro ; às sextas-feiras. ;Desde que surgimos na cena musical se Brasília temos tocado nos mais diversos espaços, de bares a praças de shoppings, e sempre para grandes plateias. Nosso recorde de público foi em 2013, na praça de alimentação do Deck Norte (Lago Norte), no Dia dos Namorados, para mais de 2 mil pessoas;, lembra o baterista Igor Karashima, fundador da banda, com o irmão e guitarrista Rodrigo Karashima e o vocalista Denis Oliveira. Os integrantes mais novos são Marcelo Duarte (baixo) e Caio Antunes (teclados). Em 2010, o grupo se apresentou duas vezes no Cavern Club, em Liverpool (de onde os Beatles saíram para a fama e a posteridade).




Banda Zero 10
Surgida no fim da década de 1990, a Zero 10 destacou-se inicialmente como banda residente do Zero Bar, que existiu na QI 11 do Lago Sul e transformou-se, na época, em point da noite brasiliense. ;Passamos por outras casas noturnas, como Frei Caneca (anexo do Cine Karim), Don Taco (309 Sul), e reuníamos muita gente em nossas apresentações. Há 10 anos estamos fixos, aos sábados, no UK Brasil (411 Sul), sempre com casa lotada. Acredito que somos recordistas mundiais de permanência num mesmo local;, ironiza o guitarrista Marcelo Ferreira, que toca também na banda paulista Angra. Na Zero 10, ele é acompanhado por André Fantom (vocal), Cid Moraes (baixo), Renato Gomes (baixo) e Marcus Tyburimbá (bateria). ;Nosso repertório, bem variado, busca atender ao gosto do público e vai de U2 a Rita Lee, de Santana a Cássia Eller, além de composições autorais;, acrescenta Marcelo.




Adora Roda
Grupo que busca enaltecer o autêntico samba de raiz, o Adora Roda existe desde 2007. Embora seja conhecido por reverenciar mestres do gênero, como Noel Rosa, Cartola e Ary Barroso, tem o cuidado de divulgar seu trabalho autoral e de compositores brasilienses. Praticamente desde que iniciou a carreira, o conjunto tomou o Bar do Calaf (hoje, Outro Calaf), como ;residência;. É lá que Breno Alves, Kadu Nascimento, Guto Martins, Vinicius de Oliveira, Pedro Molusco, Rodrigo Dantas e Jakson Delano (atual formação) comandam, às terças-feiras, a mais concorrida roda de samba da cidade. ;Já recebemos em nossa roda grandes sambistas, como Nelson Sargento, Noca da Portela, Roque Ferreira, Almir Guineto, Mauro Diniz e Fabiana Cozza;, conta o vocalista e pandeirista Breno Alves. Há três anos, o Adora, que já se apresentou no Rio de Janeiro, Salvador e Recife, lançou o CD Mensageiros do samba, com a participação do sambista Sérgio Magalhães.




Banda Salve
Entre 2005 e 2010, o projeto que mais levava o público ao Arena Futebol Clube era o Salve Jorge, com o qual músicos brasiliense reverenciavam Jorge Ben. Tempos depois, buscaram tornar o repertório mais abrangente, mas sem esquecer o mestre. ;Em vez de tocar apenas músicas de Jorge em nossos shows, passamos a incluir composições de outros mestres da MPB, como Tim Maia, Gilberto Gil e Djavan, em nosso setlist. Por conta disso, a banda passou a se chamar Salve. Após essas mudanças, cumprimos longa temporada de cinco anos no Bar do Calaf, entre 2008 e 2013. Foi sucesso absoluto, com a casa invariavelmente cheia;, recorda-se Cavanha. Atualmente, ele, Bruno Aguiar (baixo e voz), Thiago Cunha (bateria), Flávio Silva (piano) e Guilherme Villa (flauta e percussão) continuam a se apresentar em casas noturnas, mas fazem shows maiores, como recentemente na Casa Beer.




Henrique & Ruan
Dupla que chegou à capital em meados da década passada, Henrique & Ruan faz muito sucesso entre os brasilienses. Com nove CDs e dos DVDs lançados, está em cartaz na casa noturna Garota Carioca há quatro anos, às quintas-feiras. ;Quando chegamos aqui, vindos de Araxá (MG) e começamos a cantora no extinto Café Cancun, pouca gente nos conhecia. Hoje somos acompanhados por um grande público. Temos lotado o Garota Carioca por um público eclético, formado por estudantes universitários, executivos e servidores públicos, gente de todas as idades;, festeja Henrique. ;Nós nos apresentamos em cidades de Goiás e de Minas Gerais, mas temos Brasília como nossa casa. Todo nosso trabalho foi desenvolvido aqui. Estamos preparando um novo CD para ser lançado nacionalmente. A canção de trabalho é Alô DJ, que já vem tocando nas rádios.;




Thiago Lunar
A música passou a fazer parte da vida de Thiago Lunar ainda na infância, ouvindo os discos dos pais. Aos 14 anos, já subia nos palcos para fazer shows. Passados 17 anos, ele

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