Novo método promete melhores resultados

Novo método promete melhores resultados

postado em 19/06/2016 00:00
O químico americano Sheng Ding, criador do novo método para gerar células-tronco pluripotentes induzidas, afirma que suas técnicas trazem algumas vantagens em relação à indução genética, geralmente feita por introdução de vírus com genoma alterado. Os benefícios do processo baseado em uma fórmula química estão, segundo o cientista, no controle do desenvolvimento celular, na diminuição dos riscos de rejeição da célula e no bom custo-benefício.

;A abordagem de terapia genética tem o risco de modificar o genoma da célula hospedeira. É preciso garantir que os genes não serão inseridos aleatoriamente no genoma das células-alvo. Uma inserção aleatória pode perturbar a função do gene normal ou induzir a expressão do gene do câncer;, observa.

Para Stevens Rehen, da UFRJ, a proposta parece viável, desde que seja replicada por vários laboratórios antes de testes com humanos. ;Desde Yamanaka, abriu-se a possibilidade de regenerar o corpo humano a partir de células com características embrionárias. Ainda não podemos afirmar que o estudo de Sheng Ding é um divisor de águas, mas favorecer a conversão local a partir de compostos químicos é uma proposta interessante.;


"Não podemos afirmar que o estudo de Sheng Ding é um divisor de águas, mas é uma proposta interessante;
Stevens Rehen, pesquisador da UFRJ


Com opinião semelhante, Pedro Chagastelles, pesquisador do Laboratório de Hematologia e Células-Tronco da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), avalia que os estudos de Ding têm um importante impacto nas pesquisas com reprogramação celular. ;Utilizando essa nova abordagem, seria possível obter os mesmos tipos celulares neurais reprogramando células como fibroblastos de pele ou até mesmo células sanguíneas, que são relativamente fáceis de serem obtidas. Isso permitiria retirar as células do paciente, realizar a reprogramação para obter o tipo celular desejado e administrá-las novamente no mesmo paciente, evitando problemas de rejeição.;

Para Andrea Trentin, do Laboratório de Células-Tronco e Regeneração Tecidual da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que desenvolve estudos de reparação do tecido da pele após graves queimaduras, o fato de a conversão ser feita sem a utilização de genes que promovem uma alteração gênica aparentemente torna o novo método menos arriscado do que o de Yamanaka, mas estudos que garantam a segurança são necessários. ;Os riscos de gerar câncer ou outras anomalias não são eliminados com a indução química. Trata-se de pesquisa básica com perspectivas de desdobramentos em futuras terapias, porém ainda é preciso avançar nas investigações.;


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