Reunidos em nome da paz

Reunidos em nome da paz

Torcedores de Fla e São Paulo no DF querem provar que a calmaria pode prevalecer na arena

Maíra Nunes
postado em 19/06/2016 00:00
 (foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)

O são-paulino Manoel Marques, 41 anos, e o flamenguista Marcelo Ventura, 37, ambos servidores públicos, se dizem ;macacos velhos de estádio;. Os dois moradores de Brasília ; que estarão hoje na partida entre os dois clubes, no Mané Garrincha ; já rodaram o país atrás dos times de coração. Essa é uma das ;cartas na manga; que eles alegam ter para escapar de qualquer confusão que ocorra nas arenas, como a briga entre as organizadas do rubro-negro e do Palmeiras no estádio brasiliense, há duas semanas. Ainda assim, sonham com o fim da violência nos palcos do futebol para que mais famílias se sintam seguras de participar do que deve ser uma festa nas arquibancadas.

;São Paulo e Flamengo não têm histórico de rivalidade entre as organizadas;, diz Manoel. ;Porém, por mais que não seja algo generalizado, existe uma cultura de violência nas uniformizadas que sempre deixa um clima de tensão;, pondera. Na opinião do tricolor, a segurança nos jogos trazidos para Brasília ainda é ;bem amadora;. ;O esquema de acesso ao estádio poderia ser mais amplo, com portões diferentes destinados para cada equipe nos setores onde não há torcida mista;, sugere Manoel, sem deixar a revista na entrada dos estádios fora das críticas.

Do outro lado na partida de hoje, o rubro-negro Daniel Teles se tornou frequentador do Mané Garrincha após a reconstrução para a Copa do Mundo, finalizada em 2013. Mesmo depois de várias experiências na nova arena, ele acredita que a cidade ainda tem muito a aprender em relação à segurança em clássicos no estádio. ;Os órgãos responsáveis poderiam buscar uma maior qualificação com policiamentos especializados em partidas de futebol, como existem em São Paulo e no Rio de Janeiro;, completa.

Para os brasilienses, seria um pecado desperdiçar uma arena dessas proporções ; que custou R$ 1,7 bilhão ; suspendendo os jogos ;importados;. Claro que a segurança de torcedores e profissionais que trabalham na área deve ficar em primeiro lugar. Tanto que a Justiça chegou a determinar a interdição do estádio após a última briga que deixou dois torcedores gravemente feridos ; a punição, porém, foi logo revogada.

Há muitos torcedores, no entanto, que prometem comparecer ao Mané com o intuito de provar justamente que a paz pode prevalecer. ;A grande maioria das pessoas que comparecem aos estádios vai para prestigiar o time e não pode ser punida em decorrência das irresponsabilidades dos outros, que são minoria;, defende o servidor Fernando e Silva, 48 anos. ;Os responsáveis pelas confusões são grupos específicos, que vão somente para procurar briga.;

Os frequentadores do Mané querem mostrar que há espaço, sim, para zonas mistas entre públicos rivais. Na partida de hoje, por exemplo, o anel superior do estádio brasiliense terá os setores de torcida mista e de organizadas de São Paulo e Flamengo. Por opção do mandante, a arquibancada inferior e o setor hospitalidade popular serão exclusivos dos rubro-negros. A intenção é que a massa do clube da Gávea fique mais próxima do campo, para incentivar o time.


Ficha


16h
Mané Garrincha
Brasília (DF)
Transmissão
Pay-per-view
Brasileirão
9; rodada

FLAMENGO
Alex Muralha; Rodinei, Réver, Rafael Vaz e Jorge; Márcio Araújo, Willian Arão, Everton e Alan Patrick; Marcelo Cirino e Felipe Vizeu
Técnico: Zé Ricardo (interino)

SÃO PAULO

Denis; Caramelo, Maicon, Rodrigo Caio e M. Reis; Artur, J. Schmidt, Kelvin, Paulo Henrique Ganso e Michel Bastos; Calleri
Técnico: Edgardo Bauza

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