Leonardo Cavalcanti

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Os peemedebistas ganharam uma semana com o deslocamento de operações derivadas da Lava-Jato para o núcleo do PSB na campanha de 2014 e com a volta de foco para o PT. Parece pouco tempo, mas cada segundo foi comemorado pelos atuais ocupantes do Palácio do Planalto

por Leonardo Cavalcanti leonardocavalcanti.df@dabr.com.br
postado em 24/06/2016 00:00

Alívio para os peemedebistas

A prisão do ex-ministro Paulo Bernardo é um alívio para os peemedebistas. Aqui, na lógica dos aliados do governo, o dia em que a Lava-Jato se afasta dos atuais ocupantes do Palácio do Planalto é para ser comemorado. Assim, tivemos uma semana de festa para os aliados de Michel Temer.

Se na terça e quarta o foco esteve no ex-presidenciável Eduardo Campos ; e, assim, por tabela, em Marina Silva ; a ação de ontem da Polícia Federal contra um petista distensionou os gabinetes ocupados pelo PMDB. Nesse caso, a tese do quanto pior melhor favoreceu os peemedebistas.

Paulo Bernardo é a cara dos governos Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. Entre março de 2005 e dezembro de 2010, foi ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão. Depois, de 12 janeiro de 2011 a dezembro de 2015, foi o chefe das Comunicações. Era o que se costumou chamar de ;capa preta;.

A prisão de Bernardo reflete no atual quadro do impeachment contra Dilma no Senado, pois a mulher do petista, Gleisi Hoffmann, é da tropa da petista na Casa. Por mais que a grita dos aliados da presidente possa fazer algum volume, eles brigarão com a imagem de homem preso pela Polícia Federal.

O placar do impeachment nunca variou desde que Temer assumiu a Presidência interinamente; afinal, os principais atores políticos e econômicos não trabalham com hipótese da volta de Dilma. A única janela para petistas desgastarem o peemedebista foi o envolvimento de ministros interinos na Lava-Jato.

Por mais que Temer não balançasse a ponto de tornar inviável a gestão, as quedas dos ministros Romero Jucá (Planejamento), Fabiano Silveira (Transparência) e Henrique Eduardo Alves (Turismo) deram ânimo aos petistas. Mas há dois problemas em tal raciocínio dos aliados de Dilma Rousseff.

O primeiro é a incapacidade da petista em anunciar um plano de recuperação econômica real caso ganhe o direito de voltar ao poder. O discurso do ;golpe; é importante para a plateia ligada à presidente afastada e para as futuras campanhas do PT, mas é incapaz de ganhar corações e mentes do eleitorado mais amplo.

O segundo problema está nos acertos de Temer na montagem da equipe econômica. Tal movimento o blinda por ora de ataques de integrantes do partido que, na cabeça da população, levou a crise de volta à sala de estar. A aposta dos peemedebistas se concentra na retomada econômica.

Quanto tempo levará para que os atores políticos e parte do eleitorado dar crédito à gestão de Temer ainda é uma incógnita, mas ele tem pelo menos mais dois meses pela frente sem grandes cobranças em relação aos primeiros sinais de recuperação do país. E aqui cada semana de alívio na Lava-Jato conta, e muito.

A Lava-Jato, ou as operações desencadeadas a partir dela, dá o ritmo da política. Foi assim que Dilma perdeu na Câmara, em abril. Se o recorte do cenário do impeachment fosse feito esta semana, os petistas teriam ainda mais dificuldades no plenário. Mas ainda teremos cinco semanas até o impeachment.

Olimpíadas

A 40 dias do início das Olimpíadas, uma série de episódios leva ao chão qualquer expectativa um pouco mais positiva sobre o evento do Rio de Janeiro ; não se trata de urucubacas, mas de um trágico roteiro de incompetência em maior ou menor escala nas ações diretas ou periféricas.

Os jogos começam com um cenário político e econômico incapaz de levar qualquer brasileiro a comemorar: as dívidas do estado, os riscos nas áreas de segurança e da saúde, as deficiências na mobilidade e em instalações, a ausência de estrelas e, por último, a morte de uma onça.

Todas as notícias do calvário pré-Olimpíadas têm repercussão em veículos estrangeiros, deixando um pouco da nossa vaidade na lata. A morte de Juma, a onça, depois de a tocha olímpica passar por Manaus, é mais um dos relatos constrangedores. Qual o sentido de colocar um animal selvagem na cerimônia?

A única explicação é a total falta de bom senso de organizadores. Juma era banguela, passou parte da vida presa, sem grandes chances de voltar ao hábitat. Resta-nos a imagem desgastada de um símbolo olímpico, a tocha, ao lado de um animal abatido minutos depois de toda a pataquada.

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