Muito amor contra o frio

Muito amor contra o frio

Ao presenciar o sofrimento dos animais de rua nas madrugadas geladas, estudante decide construir casas de papelão e espalhar em paradas de ônibus do Sol Nascente. Comunidade entrou na corrente de solidariedade e tem deixado ração e água para os bichos

postado em 24/06/2016 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)


A chegada do inverno tem levado muita gente a tirar o cobertor do armário. Mesmo aqueles com proteção natural de pelos sofrem com a baixa temperatura. No Sol Nascente, em Ceilândia, os animais de rua receberam uma ajudinha especial para espantar o frio e a fome no dia a dia. Ao lado de paradas de ônibus, e amparadas por pedras, a estudante Talita Rocha, 24 anos, espalhou, pela região, casinhas feitas de papelão para proteger os animais do vento e do frio. Dentro dos abrigos, os cachorros também encontram mantas, ração e água.

A estudante conta que observava a rotina dos cães da rua onde mora, nestes dias frios, enquanto aguardava o ônibus para trabalhar, e se preocupava com a situação. ;Eu via o quanto a minha cachorrinha sentia frio dentro de casa e ficava pensando em como esses animais não ficavam durante a madrugada. Ainda cedo, eles estavam todos deitados na parada de ônibus. Acredito porque lá o vento deve ser menos intenso;, explica. Após assistir a uma reportagem de Santa Catarina em que voluntários se organizaram para montar casinhas de fibra para os animais, Talita teve a ideia de procurar um material mais barato e dar continuidade ao projeto em Brasília.

A jovem procurou na internet formas de como construir o abrigo e iniciou uma campanha em redes sociais para arrecadar o material, além de vasilhas velhas e ração. Talita também contou com a ajuda de amigos e familiares para recolher o material. ;No sábado, eu recebi tudo e comecei a montar as casinhas. Quando deu 1h, eu e meu marido saímos colocando as casinhas nas paradas de ônibus;, explica. Ao todo, ela fez, sozinha, oito abrigos e os colocou em três pontos do Sol Nascente.



Para a comerciante Patrícia Alves, 37 anos, a iniciativa vem em boa hora. ;Aqui tem muito animal de rua, e eles ficavam sempre aí na rua, passando frio e rasgando lixo. Agora, já vi que dois cachorros pretinhos sempre dormem no abrigo, como se fosse a própria casinha deles; completou. Já o cabeleireiro Celso Pereira da Silva, 39, acha que o local escolhido para deixar as casinhas não foi o melhor. ;Sempre tem muita gente nos pontos de ônibus. Os cães têm medo, não chegam muito perto e acabam sem ficar à vontade no local feito para eles;, justifica.

Talita explica que a escolha do local se deu de acordo com a capacidade que ela teria de realizar a manutenção dos abrigos. ;Eu pensei em colocar perto da minha casa porque, assim, consigo ficar acompanhando. Todo dia, antes de sair, passo em todos os pontos e troco água e ração. Quando volto para casa, sigo a mesma rotina;, explica. Ela sonha que a ideia se espalhe e animais de outras regiões do DF também possam se aquecer neste inverno.

Além da oferta aos animais, Talita deixou avisos para quem passa pelo local: ;Atenção! Não roube as vasilhas! Não destrua esse abrigo! Nos dias frios, é isso que eles têm para se proteger. Ajude-nos colocando ração e água todos os dias!”, pede. Mas, depois de três dias de projeto, a protetora soube que uma das casinhas foi furtada. ;É uma pena que nem todo mundo entenda o objetivo dessa ação.; Hoje, Talita conta com a ajuda de alguns moradores que apoiaram a causa. ;Tem uma moça na esquina de casa que já me disse que colocou ração. Hoje, encontrei uma ração diferente; então, sei que tem gente me ajudando;, comemora.

Segundo a protetora, a ideia já se espalhou para outras regiões, como Setor O, em Ceilândia, e Samambaia. ;Tive muitos compartilhamentos na minha página e vários pedidos para ensinar a fazer a casinha. Estou muito feliz com a repercussão e espero que menos animais passem por este frio.;




Protetora

Talita já resgata animais há cerca de um ano. Orgulhosa, mostra os saquinhos de ração que carrega na bolsa para alimentar os que encontra na rua, enquanto segura também a ração especial que leva para dar ao seu mais novo resgate: uma cadelinha que tem hipoplasia de medula. ;Eu sempre gostei de animais. Daí uma vez, fiz um resgate para ajudar uma amiga. Fui gostando, pegando amor. Agora, ajudo sempre que posso;, conta a protetora, que, apesar de participar de grupos de resgate, diz fazer um trabalho independente.




Desabrigados

Segundo projeção da organização não governamental Proanima, há cerca
de 30 mil cães e 10 mil gatos espalhados pelas ruas do Distrito Federal.


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