Brasil é o principal caminho da cocaína

Brasil é o principal caminho da cocaína

Estudo do Escritório da ONU para Drogas e Crimes mostra que os portos brasileiros são ponto de partida para os mercados da Europa, da África e da Ásia

postado em 24/06/2016 00:00
 (foto: Polícia Federal faz apreensão de cocaína em carga de gesso no Porto de Suape, em Pernambuco)
(foto: Polícia Federal faz apreensão de cocaína em carga de gesso no Porto de Suape, em Pernambuco)


Traficantes e organizações criminosas transformaram o Brasil no maior porto de trânsito da cocaína que abastece os mercados europeu e africano. Os dados fazem parte de um estudo publicado ontem pelo Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Drogas e Crimes, que também aponta que o país é o principal local de saída de drogas da América Latina para a Ásia. Os dados apontam que a produção vem de Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Mas são os portos brasileiros que servem de trampolim para o mercado europeu.

Segundo o levantamento anual da ONU, cerca de 5% da população adulta do mundo ; 250 milhões de pessoas ; consumiram pelo menos uma vez drogas em 2014. O volume tem se mantido estável nos últimos quatro anos. Mas a entidade aponta que o número de pessoas sofrendo com ;desordens relacionadas ao consumo de droga; aumentou pela primeira vez em seis anos. Hoje, são 29 milhões de pessoas nessa situação, contra 27 milhões um ano antes.

De acordo com o estudo anual, a quantidade de cocaína confiscada pelas autoridades mais do que dobrou na América do Sul entre 1998 e 2014, quando atingiu 392 toneladas. Esse volume teria se estabilizado.

Entre 2009 e 2014, a Colômbia representou 56% de todo o confisco na região e mais de um terço do mundo. No segundo lugar vem o Equador, com 10%, contra 7% para o Brasil e Bolívia.

;No Brasil, o aumento da quantidade confiscada é atribuída à combinação de maiores esforços da polícia, de um mercado doméstico em expansão para a cocaína e do aumento de carregamentos para mercados estrangeiros;, indicou a ONU.

De acordo com o informe, o Brasil de fato se transformou no principal ponto de partida da cocaína que chega até o mercado europeu. A referência não aponta o país como maior produtor. Mas, entre 2009 e 2014, os portos nacionais teriam sido os principais pontos de trânsito, seguido pela Colômbia, pela Equador e pela República Dominicana.

Outra constatação da ONU é de que o Brasil é mencionado como o principal ponto de partida da cocaína que vai para a África, com mais de 51% dos casos e bem acima de todos os demais mercados. No caso africano, entre 2014 e 2016, pelo menos 22 toneladas de cocaína foram confiscadas na rota entre a América do Sul e a Europa, passando pelo oeste africano.

Mortes
De acordo com a ONU, cerca de 270 mil pessoas morreram por algum tipo de complicação no consumo de drogas, um volume considerado como ;inaceitável; e que pode ser evitado se medidas forem aplicadas. Pelo mundo, existiriam 12 milhões de usuários de drogas injetáveis, dos quais 14% vivem com HIV.

;O impacto geral do uso de drogas em termos de saúde continua sendo devastador;, alertou a ONU. Na Europa e na América do Norte, o número de overdoses por conta da heroína registrou um ;forte aumento; nos últimos dois anos.

Já a maconha é a droga mais popular do mundo, com cerca de 183 milhões de pessoas que a tenham consumido em 2014. O informe da ONU ainda apontou que a mudança de normas sociais com relação à maconha gerou um aumento de seu consumo, em paralelo à maior aceitação social de seu uso.

STF ameniza pena para réu primário
Após a mudança de entendimento de três ministros, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu ontem que tráfico de drogas praticado por réu primário, sem antecedentes criminais, não é crime hediondo. Edson Fachin, que havia pedido vista para analisar o assunto, foi o primeiro a mudar seu voto. No julgamento anterior, realizado no início do mês, ele havia defendido que a prática era de máxima gravidade. Também voltaram atrás e mudaram de entendimento os ministros Teori Zavascki e Rosa Weber. Mantiveram o voto e ficaram vencidos os ministros Luiz Fux, Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello. A lei brasileira considera o tráfico de drogas um crime hediondo, ou seja, sem direito a pagamento de fiança e com progressão de pena mais lenta que o tempo estabelecido para os crimes comuns. A Lei de Drogas, no entanto, abrandou as normas para o que chama de tráfico privilegiado, definindo que réu primário, de bons antecedentes e que não se dedique a atividades criminosas nem integre organização criminosa, tenha pena reduzida.

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