Travessia do Atlântico sem usar combustível

Travessia do Atlântico sem usar combustível

postado em 24/06/2016 00:00
 (foto: AFP
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(foto: AFP )
Foi concluída ontem a primeira travessia aérea do Atlântico sem o uso de combustível. O avião movido à energia do Sol, Solar Impulse 2, pousou em Sevilha, no sul da Espanha, três dias depois de decolar de Nova York. Foi a 15ª etapa de sua inédita volta ao mundo. %u201CNão posso acreditar. É tão fantástico! É a primeira travessia do Atlântico de um avião solar%u201D, comemorou o piloto Bertrand Piccard ao entrar em contato com o centro de controle da viagem, que fica em Mônaco. Ele chegou exausto ao aeroporto de Sevilha pouco antes das 7h40 (2h40 em Brasília), após uma viagem de 6.272km sobre o oceano. A aeronave decolou de Nova York na segunda-feira às 2h30 (5h30 de Brasília), com transmissão ao vivo pela internet a partir de câmeras instaladas na cabine, nas asas e na parte de trás do avião. %u201CNão foi um voo fácil, tinha que abrir caminho entre as nuvens, passar por cima, suportar as turbulências%u201D, declarou o suíço de 58 anos. %u201CTentei simplesmente impregnar-me com a experiência, que é mágica%u201D, completou, em entrevista à agência de notícias France-Presse. As forças armadas espanholas destacaram caças para escoltar Piccard até o aeroporto, onde o Solar Impulse 2 foi recebido com aplausos. O piloto admitiu que pensou durante o voo no aviador americano Charles Lindbergh, o outro pioneiro da aviação, primeiro a voar entre Nova York e Paris sozinho e sem escalas, em 1927. Segundo Piccard, que já havia cruzado em duas ocasiões o Atlântico em um balão, Lindbergh queria %u201Cconectar o mundo%u201D com as viagens de avião. %u201CMas eu queria participar no desenvolvimento do uso das tecnologias limpas%u201D, disse. Antes, o Solar Impulse 2 já havia realizado a proeza de cruzar o Pacífico, mas precisou ficar parado por 10 meses no Havaí para reparos em suas baterias. Durante a volta ao mundo, Piccard alterna as etapas com o compatriota André Borschberg, 63 anos, que pilotou a aeronave durante a etapa mais longa, entre Nagoya (Japão) e o arquipélago do Havaí, no Pacífico: 6.437km em cinco dias e cinco noites. A envergadura das asas do Solar Impulse 2 é igual à dos maiores aviões comerciais (63,4m), embora seu peso seja de apenas 1,5t, o equivalente a uma caminhonete, o que o torna muito sensível a turbulências. O avião viaja a uma velocidade média de 50km/h graças a baterias de lítio que armazenam a energia captada por 17.000 células solares instaladas nas asas. A pequena cabine despressurizada de 3,8m³ é equipada com tanques de oxigênio para permitir que os pilotos respirem. O espaço está recoberto de espuma isolante para atenuar as temperaturas extremas durante o voo, que variam de 40ºC a -40ºC. Agora, faltam só mais dois trechos para que o avião retorne a Abu Dabi, nos Emirados Árabes, de onde partiu em 9 de março de 2015. Ao todo, serão percorridos 35 mil quilômetros. Ontem, os dois pilotos anunciaram a criação de um Comitê Internacional das Energias Limpas, que pretende atuar como %u201Cum interlocutor confiável para os que precisam saber como utilizar estas tecnologias%u201D. 35.000 km Distância total que será percorrida pelo Solar Impulse 2 em sua volta ao mundo

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