Feministas vão às aulas

Feministas vão às aulas

Ricardo Daehn
postado em 24/06/2016 00:00
 (foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)


Crítica A academia das musas hh


Existe todo um cinema independente, de traçado muito autoral e de absurdo desapego ao status quo, naquilo que o diretor espanhol José Luis Guerín entende por arte. Ele já bebeu de aura radical, junto com o cineasta lituano Jonas Mekas, e tem obras reconhecidas em campos como os das instalações ; As mulheres que não conhecemos chegou à Bienal de Veneza.

Experimental, A academia das musas transcorre nos bastidores de um seminário, em Barcelona, e se enamora da crueza do manejo de imagens em vídeo. Em cena, um professor de filologia sacramenta indiretamente a investigação do cineasta Guerín em torno do papel das musas.

Mas o discurso é embotado e desgasta, enquanto mantido no círculo dos bancos universitários. Isso, mesmo havendo fervor intelectivo nas análises defendidas por experientes alunas que superaram todo e qualquer atraso de oco discurso feminista. Fundamentadas, encabeçam um debate tão desafiante quanto elevado e que engloba a escrita de Dante Alighieri, no século 14, especialmente com A divina comédia. O intrigante é a alta sabedoria desfilada, mas que chega a ser maçante para os não iniciados.

Noutra dimensão, o filme se alarga, quando o diretor vai, literalmente, a campo para analisar elaborações poéticas no meio rural. A troca de tom, porém, é muito lenta ; num processo tão demorado quanto aos das crises domésticas de ciúmes enfrentadas pelo professor, ao se impressionar em demasia com as alunas.

2015
Ano que A academia das musas foi exibido no festival do Rio

ROTEIRO
Memórias secretas
(Remember, Canadá, 2015, drama, 95min; não recomendado para menores de 14 anos)
De Atom Egoyan. Com Christopher Plummer, Martin Landau e Bruno Ganz. Aos 80 anos, Zev aceita uma missão incumbida pelo seu colega de asilo, Max Zucker: deixar o local em que vive em busca de um antigo guarda nazista. Seu objetivo é, mesmo após tantas décadas, puní-lo pelo assassinato de sua família durante a Segunda Guerra Mundial. Cine Cultura Liberty Mall 3, às 16h30.

As montanhas se separam
(Shan he gu ren, China/França/Japão, 2015, drama, 126min; não recomendado para menores de 12 anos)
De Zhang-ke Jia. Com Zhao Tao, Yi Zhang e Jing Dong Liang. Uma história em três partes que se inicia no fim da década de 1990 e acompanha Tao, bela jovem da província de Shanxi que se vê dividida entre dois pretendentes, seus amigos de infância Zhang e Liangzi. Um é herdeiro de um posto de gasolina, enquanto o outro trabalha em uma mina de carvão, e as consequências da decisão da mulher reverberam em 2014 e 2025. Cine Cultura Liberty Mall 4, às 14h40, 19h e 21h30.

Mundo deserto de almas negras
(Brasil, 2015, drama, 91min; não recomendado para menores de 16 anos)
De Ruy Veridiano. Com Sidney Santiago, Naruna Costa e Janaina Leite. Em uma São Paulo em que o centro é negro e a periferia branca, Oscar, um jovem advogado, planeja entrar em um presídio com celulares escondidos, mas é assaltado no trânsito e torna-se alvo de uma busca implacável. Espaço Itaú de Cinema CasaPark 4, às 17h30.

Nise ; o coração da loucura
(Brasil, 2016, biografia, 108 min, não recomendado para menores de 12 anos)
De Roberto Berliner. Com Glória Pires, Simone Mazzer e Julio Adrião. Depois de um período na prisão, a doutora Nise da Silveira (Glória Pires) retorna ao trabalho em um hospital psiquiátrico na periferia carioca. Ela está determinada a implementar novas formas de tratamento para pacientes diagnosticados com esquizofrenia. A sugestão é ignorada pelos colegas de trabalho que passam a evitá-la. Resiliente, Nise passa a coordenar o Setor de Terapia Ocupacional, onde coloca em prática novas práticas de tratamento. Cine Cultura Liberty Mall 1, às 18h50.

O outro lado do paraíso
(Brasil, 2014, drama, 115min; não recomendado para menores de 10 anos)
De André Ristum. Com Eduardo Moscovis, Simone Iliescu e Jonas Bloch. Antônio faz o que pode para conseguir dinheiro para o sustento do lar. Já tentou garimpo, bicos diversos, e agora pensa ter encontrado finalmente seu lugar: Brasília. Atraído pelas promessas do presidente João Goulart e pela ampla oferta de emprego, ele se muda para a capital com a esposa e os filhos. O sonho da prosperidade, no entanto, é interrompido pelo golpe militar e Antônio, envolvido com o sindicalismo, começa a viver um pesadelo. O filme traz um roteiro coeso, no qual situações brotam sem esforço HHH (RD). Cine Cultura Liberty Mall 3, às 18h30.


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