Preocupação com a opinião pública

Preocupação com a opinião pública

EDUARDO MILITÃO
postado em 29/06/2016 00:00
 (foto: CNMP/Divulgação)
(foto: CNMP/Divulgação)




Inspirados na experiência da Itália, investigadores da Operação Lava-Jato avaliam com preocupação o apoio da sociedade às investigações do maior caso de corrupção da história recente do Brasil. Entre os italianos, a Operação Mãos Limpas começou a perder força em meio a um movimento de descrédito perante a opinião pública local, quando foram criadas leis que protegiam caciques políticos e grande empresários e minavam as ferramentas para apuração de crimes da elite. Para investigadores, o mesmo desenho corre o risco de ser pintado no Brasil e, portanto, é preciso agir preventivamente.

Assim como na Itália, os procuradores-magistrados que atuavam no caso passaram a ser acusados de partidarismo. Apesar de, em um ano, os principais partidos serem destruídos politicamente pelos efeitos da ;Mãos Limpas;, o então presidente, Sílvio Berlusconi, acusava os juízes ;comunistas; de perseguição. Os mais de 30 suicídios de investigados e a atuação da promotoria sobre crimes tributários pioraram o apoio da população. Aqui, a preocupação é com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, alvo de críticas de ser aliado ora ao PT, ora ao PSDB e ora com intenções de minar o PMDB.

O coordenador da Lava-Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, elogiou a postura de Janot e o defendeu das acusações de atuação partidária. ;Nós temos só um lado: da honestidade e da Justiça;, afirmou ele ontem no seminário Grandes casos criminais: experiência italiana e perspectivas no Brasil. Janot estava na plateia. ;Nós não lhe abandonaremos. O senhor tem sido muito pressionado;.

Para os investigadores, será natural um período de ;ressaca;, em que a Lava-Jato vai refluir e as investigações ficarão menos vultosas. É para esse momento que é preciso se preparar, avaliam. O Ministério Público compartilha da ideia de que o Congresso, ao contrário de aprovar as 10 medidas propostas para combater a corrupção, tem o poder de modificar os instrumentos de investigação.

Propostas
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) listou 12 projetos como o a limitação ao uso das colaborações premiadas e a modificação dos acordos de leniência como resposta à Lava-Jato e ao combate aos crimes do colarinho branco. Mas a assessoria parlamentar da Associação do Ministério Público (Conamp) relatou ao Correio que há mais de 1.000 propostas que podem atrapalhar investigações criminais em geral, inclusive na Lei Maria da Penha, que pune com mais rigor a violência contra a mulher.

O ex-procurador italiano da Mãos Limpas Antônio di Pietro teve que deixar o cargo após responder mais de 400 procedimentos, mas afirmou que o principal é o apoio na sociedade, que, ao menos por um momento, garantiu o sucesso da operação. ;Ela se mobilizou e se se transformou num vigilante, num policial e num síndico;, contou ele, ontem.

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