Pressão para trocar aliado de Cunha na CCJ

Pressão para trocar aliado de Cunha na CCJ

Naira Trindade
postado em 29/06/2016 00:00
 (foto: Ailton de Freitas/CB/D.A Press)
(foto: Ailton de Freitas/CB/D.A Press)


Um dia após o anúncio do nome do deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF) para a relatoria do recurso do presidente afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), deputados pressionam pela suspeição de Fonseca, considerado aliado do peemedebista. A pedido do deputado Julio Delgado (PSB-MG), o Conselho de Ética vai encaminhar à CCJ as notas taquigráficas que registram manifestações de Fonseca favoráveis a Cunha. Ontem, Fonseca negou ser aliado do parlamentar afastado da Presidência da Câmara e declarou não estar impedido de relatar.

Fonseca é evangélico da Assembleia de Deus, mesma igreja de Cunha. Em 7 de abril, o deputado brasiliense usou a tribuna do plenário da Câmara para criticar as convocações de uma testemunha de acusação pelo relator, Marcos Rogério (DEM-RO). ;O que está parecendo aqui é que o relator está obstruindo. Quem traz um cidadão como este para depor não quer concluir o processo! Não quer concluir o processo!”, criticou. ;Não sou advogado do denunciado, ele está muito bem representado, mas eu sou deputado. E, possivelmente, esse processo chegará ao plenário e, no plenário, nós temos que estar instruídos para votar, então eu tenho interesse na matéria;, discursou em plenário.

O relator também é acusado por parlamentares por ter se manifestado contrário ao parecer de Fausto Pinato (PP-SP), que pediu a cassação de Cunha. Em sua defesa, Fonseca negou que tenha se posicionado sobre o parecer e ainda avisou ter se adiantado e entregue ele mesmo as notas taquigráficas à CCJ para demonstrar que está isento para relatar o recurso de Cunha. Pelo regimento, o relator tem até amanhã para apresentar seu posicionamento sobre o recurso que pede a anulação de 16 pontos do processo. Fonseca, porém, avisou que vai conversar com o presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR), para definirem o prazo.

O deputado Marcos Rogério (DEM-RO), relator no Conselho de Ética, questionou a escolha. ;Pessoalmente, considero o relator escolhido na CCJ tecnicamente preparado. É um combativo na CCJ. Esse aspecto levantado de que ele já teria se antecipado contra as posições do conselho, contra a tramitação do processo e antecipado juízo de valor em relação a esse processo, me parece preocupante;.

Líder da Rede na Câmara, o deputado Alessandro Molon (RJ), considerou ;inaceitável; a indicação e vai apelar para que o nome seja revisto. ;Vamos pedir para que o presidente da CCJ reavalie a decisão e distribua para um relator mais isento;, afirmou. A Rede e o PSol são autores da representação que gerou o pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética. ;Se não houver nova designação, vamos partir para derrotar o parecer;, afirmou.

Já o líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM), avisou que, caso Serraglio não se convença a trocar o relator, vai ter que arregimentar votos para derrotar o parecer de Fonseca e trazer o quanto antes o pedido de cassação ao plenário. ;Sugiro ao presidente da CCJ que recue e designe um relator isento, que mostre imparcialidade;, apelou Pauderney, prevendo ;muito tumulto;. Nos bastidores, deputados suspeitavam que ;forças externas; haviam imposto o nome dele.

Explicações
Ontem, deputados do PSol protocolaram na Mesa Diretora da Câmara um pedido de informações dirigido ao Palácio do Planalto sobre a reunião entre o presidente em exercício, Michel Temer, e Cunha. ;O presidente Temer tem a obrigação de dizer o que foi tratado neste encontro. Ele diz que, como presidente, tem obrigação e o direito de se encontrar com todo mundo, até com investigados da Lava-Jato. Mas nega ter se encontrado com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado;.

Colaborou Paulo de Tarso Lyra

Plenário vazio
Liberados pelo presidente em exercício Waldir Maranhão (PP-MA), poucos deputados compareceram à sessão deliberativa de ontem na Câmara. Devido à falta de quórum no plenário, a pauta de votações foi transferida para a próxima semana. A pauta está trancada pela Medida Provisória 718/16, que altera normas tributárias e de controle de dopagem com foco na realização dos Jogos Olímpicos. Fazendo um mea-culpa por institucionalizar a gazeta, Maranhão afirmou que fará esforço concentrado de segunda a quinta-feira com uma agenda positiva de votações de interesse do país.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação