Participação popular na agenda da água

Participação popular na agenda da água

Em evento preparatório do Fórum Mundial, especialistas no assunto reforçaram a necessidade de engajamento entre entidades para solucionar problemas como falta de saneamento

postado em 29/06/2016 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press
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(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )


Após dois dias de intensos debates, a primeira etapa preparatória para o 8; Fórum Mundial da Água terminou com a orientação de que é preciso aumentar o envolvimento da população no tema e colocar o assunto na agenda central de países, como base para solucionar problemas com saneamento e energia, por exemplo. A necessidade de promover um maior engajamento entre entidades, políticos e as demandas da população no que diz respeito aos problemas relacionados à água foi uma fala recorrente entre especialistas no encerramento da fase de discussões, ontem, em Brasília. A capital federal sediará o fórum, que ocorrerá em março de 2018, pela primeira vez em um país do hemisfério sul.

;Nossa integração com o processo político pede o estímulo à participação de entidades que trabalham com gestão de água. Como aprimoramento de governança, de modo que o cidadão possa ter as suas opiniões coletadas;, afirmou o integrante do Fórum Dinamarquês da Água, Torkil Jonch Clausen. Esta foi uma das conclusões a que chegou uma das seis comissões que debateram temas centrais e transversais relacionadas ao uso da água. Cerca de 700 pessoas de 57 países acompanharam a fase chamada ;kick-off meeting; e participaram de grupos de trabalho para começar a definir o roteiro do evento, para o qual são esperadas 50 mil pessoas.

A fala do europeu reforça a avaliação do presidente da Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), Paulo Salles. ;Temos que debater uma maior participação da população, uma revisão das nossas práticas, do que fazem os órgãos públicos, as empresas, a sociedade civil, para que a gente adote atitudes que levem à sustentabilidade;, disse Salles. Segundo o presidente da Adasa, dois temas chamaram mais a atenção de modo geral durante o evento: mudanças climáticas e sustentabilidade. ;Primeiro, porque as pessoas estão sentindo as variações climáticas na própria pele e estão vendo os efeitos disso. Hoje, as pessoas já associam essas variações com falta d;água e inundações. E isso já é uma coisa auspiciosa, eu diria;, avaliou Salles.

O diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Ney Maranhão, aponta que um dos problemas do Brasil na área é ter baixa reservação hídrica. Segundo ele, os reservatórios não acompanharam o crescimento da população, que pode sofrer com secas inesperadas, como a que acometeu o estado de São Paulo no ano passado. ;O Brasil passa de uma situação tida de grande conforto hídrico para uma situação de maturidade, em que ele vai precisar administrar bem os recursos hídricos de cada bacia, à luz do binômio quantidade e qualidade, e à luz dos usos múltiplos. Vamos ter de ser muito melhores na gestão dos reservatórios. O país cresce como um doido, então tem que existir uma gestão adequada para lidar com isso;, afirma.

Segundo Maranhão, uma das grandes dificuldades para o país está em articular reservatórios em rios povoados e que precisam abastecer cidades. Para isso, o diretor defende que se intensifique o debate sobre soluções sustentáveis, como uso de energia eólica, e alternativas de reúso de água, como dessalinização de água do mar. ;Nós precisamos efetivamente colocar a água na agenda política das nações, como elemento central inclusive para discussão de outros temas, energia, abastecimento, saneamento;, defendeu o secretário executivo do 8; Fórum Mundial da Água Rodrigo Barbosa.

Soluções
A subsecretária de Planejamento Ambiental e Monitoramento da Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal, Maria Silva Rossi, diz que, entre as medidas que foram debatidas para aumentar a participação popular, está a promoção do tema na mídia e colocar o assunto nas salas de aula. ;Acho que uma das questões mais importantes que estamos debatendo é como tornar o fórum inclusivo. Isso nos vários aspectos. Tem de ter recurso para trazer gente que não tem dinheiro de população e comunidades representativas que sofrem questões de água desde coisas bem operacionais;, avaliou.

;Temos que debater uma maior participação da população, uma revisão das nossas práticas, do que fazem os órgãos públicos, as empresas, a sociedade civil, para que a gente adote atitudes que levem a sustentabilidade;
Paulo Salles, presidente da Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal (Adasa)

Confusão
Mais de 100 integrantes do Sindágua, sindicato dos servidores da Caesb, quebraram uma porta de vidro que dava acesso ao espaço onde ocorria o evento preparatório para o 8; Fórum Mundial da Água, no Centro de Convenções, na manhã de ontem. Durante a confusão, os servidores acabaram trocando agressões com um segurança no local. Igor Pontes, diretor do Sindágua, disse que o objetivo era fazer uma manifestação pacífica para denunciar a falta de negociação com os servidores que estão em greve há mais de 40 dias, pedindo reajuste salarial e também reclamar em razão de categoria não ter sido oficialmente informada do evento. ;Pelas nossas mãos, não houve violência, nem depredação;, disse. Após a confusão, o sindicato entrou em acordo com a organização do evento e representantes voltaram à tarde para ler um manifesto em favor do saneamento público no plenário onde ocorria o evento.

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