Discurso mais duro faz dólar cair 2,61%

Discurso mais duro faz dólar cair 2,61%

postado em 29/06/2016 00:00

O pronunciamento do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, ontem derrubou o dólar diante do real. A moeda norte-americana caiu 2,61% e fechou a R$ 3,306, a menor cotação desde 23 de julho do ano passado. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM) subiu 1,55%.

No Relatório Trimestral de Inflação, o BC reduziu de 3,5% para 3,3% a projeção de retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 2016. O diretor de Política Econômica da autoridade monetária, Altamir Lopes, destacou que há maior confiança de agentes econômicos, o que favorece a retomada da atividade.

Na avaliação de vários economistas, é possível que o Conselho Monetário Nacional (CMN), ao definir a meta de inflação para 2018, o que deve ocorrer amanhã, opte por um índice inferior ao que vem sendo mantido nos últimos anos, de 4,5%. ;Colocar uma meta de 4% para 2018 sinalizaria o retorno à normalidade do sistema de metas depois de abandono durante tantos anos;, disse o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

Para o economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont, o benefício dessa decisão seria grande. ;E o custo seria mínimo em termos de adiar o crescimento econômico;, explicou. Ele já esperava que a redução da Selic não viria antes de outubro. Ontem, passou a ter mais certeza disso.

Na avaliação do economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, o discurso do presidente do BC foi mais duro do que o mercado esperava. A tendência, diz, é que o dólar caia ainda mais. ;Para a inflação chegar a 4,5% em 2017, o câmbio precisa ir a R$ 3,00;. Ele lembrou que o dólar poderá manter o ritmo de queda se o Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) não subir os juros.

Para o economista Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), a questão fiscal ainda vai demorar para ser solucionada, mas a recessão em que o país está mergulhado, com o desemprego em alta e renda em queda, vai ajudar o BC a cumprir a meta perseguida. (PSP e RH)

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