Audiência discute trajeto dos blocos

Audiência discute trajeto dos blocos

postado em 29/06/2016 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 15/2/14)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 15/2/14)


A primeira audiência para discutir os trajetos dos blocos de carnaval em áreas residenciais, reuniu carnavalescos, moradores, foliões e representantes de órgãos públicos, na tarde de ontem, no auditório do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Um dos pontos levantados durante o debate foi a capacidade estrutural das áreas próximas à folia para receber as festas. Para esse fator, uma das soluções apontadas foi a transferência de agremiações maiores (com público estimado em 150 mil pessoas) para o centro de Brasília.

Como um exemplo positivo desta alteração, os participantes lembraram a mudança do tradicional Suvaco da Asa, da área entre o Cruzeiro e o Sudoeste, para o Eixo Monumental, neste ano. Para o administrador do Sudoeste, Paulo Henrique Feitosa, existe uma inadequação do crescimento do carnaval em Brasília com os espaços para a folia. ;Em 2015, o Suvaco da Asa teve 60 mil foliões. Uma coisa que começou como brincadeira de amigos, a primeira edição deve ter tido 100 pessoas, então, é um crescimento exponencial que pode ser organizado, já que o local ficou inadequado. O próprio organizador reconheceu isso, e a mudança é a prova disso.; argumentou.

Para o síndico do Bloco E da 207 Sul, o transtorno que o carnaval leva aos moradores da quadra não se resume ao barulho. Segundo ele, na folia deste ano, muitos foliões utilizaram os pilotis dos prédios como banheiros. ;Os meus funcionários não davam conta de proteger o prédio e um porteiro quase foi agredido com uma barra de ferro. Eram drogados, bêbados. Nós não estávamos preparados para lidar com essa situação; comentou.

Violência

Outro problema apontado por representantes de moradores das quadras próximas ao Eixão é o aumento da violência. Para Luís Lima, representante do Baratinha, é incoerente que o fator seja atribuído ao carnaval. ;A festa só acontece por quatro dias. Não podemos dizer que isso só acontece durante o carnaval. A violência é um problema integral da nossa sociedade;, afirmou. Para ele, também seria ilegítimo mudar o trajeto dos blocos por decisão de uma minoria. ;Estou aqui pelo direito de mais de 100 mil pessoas, não por meia dúzia que se acham donas da cidade. Eu respeito quem vem de longe para esses blocos e fazemos carnaval para o povo. É uma manifestação popular;, concluiu.

A ex proprietária do Balaio Café, Juliana Andrade, lamentou que a debate caminhasse para uma criminalização da manifestação cultural. ;Eu gostaria de estar aqui hoje debatendo a pauta do carnaval como uma pauta cultural, não como algo marginal e criminalizado como está sendo. Eu era proprietária de uma casa de cultura que o Estado não protegeu, porque não existem políticas culturais que dessem esse suporte. São beijos, sorrisos, aprendizados e artistas que são vulnerabilizados e não enriquecidos como poderiam ser;. Alertou. O Balaio Café fechou em 2015 por causa da Lei do Silêncio.

Outras sugestões como limitar os horários dos blocos para o dia a fim de inibir a violência; responsabilizar organizadores de blocos pelos danos materiais feitos nas quadras próximas ao evento; e estimular a criação de blocos em regiões administrativas para evitar maiores aglomerações no Plano Piloto também foram propostas durante a audiência no Ministério Público. Segundo a procuradora Maria Rosynete de Oliveira Lima, o resultado da primeira audiência foi positivo. ;Nós pudemos ouvir a comunidade e os órgãos institucionais que aqui estiveram e se manifestaram. Agora, todas as preposições serão avaliadas para que a gente possa pensar qual será o próximo passo e se serão necessárias outras audiências.;

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