Apagão segue sem explicação

Apagão segue sem explicação

Técnicos da Companhia Energética de Brasília (CEB) ainda não identificaram as razões para a explosão e o incêndio registrados na Subestação Brasília Centro na noite de segunda-feira. Várias partes de Brasília ficaram sem luz

» Luiz Calcagno
postado em 29/06/2016 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

Ainda não se sabe os motivos da explosão e do incêndio na Subestação Brasília Centro, responsáveis pelo apagão em diversas partes do Plano Piloto na última segunda-feira. Técnicos da Companhia Energética de Brasília (CEB), no entanto, identificaram a dinâmica do incidente. Podem dizer como tudo aconteceu, mas terão de periciar um transformador de corrente do local. A peça deu início ao transtorno de ontem à noite. A empresa também precisa estimar o tamanho do prejuízo.

O complexo da empresa na Esplanada dos Ministérios conta com quatro transformadores instalados no início da década de 1980. Três deles distribuem a energia para a área central da capital e o último, para a Estação Mangueiral, que alimenta São Sebastião. Para especialistas ouvidos pelo Correio, a sobrecarga dos equipamentos seria a causa mais provável. Funcionam na região outros sete geradores.

Recoberto de cerâmica, o aparelho de corrente explodiu às 18h35. Estilhaços da peça atingiram o radiador de um dos três transformadores que distribuem eletricidade para a Esplanada dos Ministérios, provocando vazamento de óleo. Segundo o diretor de Distribuição da CEB, Mauro Martinelli, o fluido utilizado nos equipamentos é altamente inflamável e causou o incêndio de grandes proporções. A companhia enviou profissionais ao local, operado remotamente. Primeiro, os técnicos avaliaram a possibilidade de o Corpo de Bombeiros combater as chamas sem a necessidade de desligar os demais. Como isso não foi possível, às 19h18, eles derrubaram a subestação, deixando toda a região no escuro.

O blecaute impediu a continuidade da reunião da comissão que avalia o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Vizinha da subestação, a Câmara dos Deputados ficou sem energia após o terceiro pico de luz, assim como o Palácio do Planalto. O metrô parou por cerca de 20 minutos. Alguns estabelecimentos comerciais do Sudoeste também registraram queda de energia no mesmo horário. O combate às chamas seguiu até as 21h40 e, às 22h, técnicos da CEB religaram os transformados e normalizaram o abastecimento. ;No momento do incidente, um único transformador foi desligado. Os outros permaneceram em funcionamento. Decidimos desligar tudo quando vimos que seria mais seguro para o combate às chamas. Depois, levamos apenas 20 minutos para restabelecer a normalidade;, explicou Mauro.

Ainda não há como estipular um prazo para o fim da perícia do transformador de corrente. Com o fim dos trabalhos, representantes da CEB entregarão o laudo indicando as causas da explosão. ;A nossa prioridade, na segunda, foi dar segurança às pessoas que trabalhavam no local. O mais importante, em seguida, foi religar as cargas o mais rápido possível. Conseguimos isso às 22h. Levamos 20 minutos depois que os bombeiros nos entregaram a subestação. Isso mostra que o nosso sistema é robusto. Agora, vamos identificar a origem do problema;, detalhou o diretor de Distribuição da CEB.

Embora os equipamentos da região tenham, pelo menos, 33 anos, Mauro defende que os transformadores estão em boas condições de uso. Segundo ele, a manutenção periódica estende a vida útil dos equipamentos. Em 15 de novembro de 2015, um gerador no subsolo do Ministério dos Esportes também explodiu, matando um funcionário da CEB. ;O que aconteceu foi uma fatalidade. Os equipamentos são bem conservados. Com as manutenções, a vida útil desses transformadores ultrapassa os 45 anos. A última vez que tivemos um episódio semelhante foi em Brazlândia, no ano passado. A subestação da cidade, porém, é mais antiga que a de Brasília Centro;, recordou.

Professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), Mauro Moura Severino destacou que existem ;várias causas possíveis; para o incidente de ontem. Segundo ele, deve ter acontecido uma combinação de fatores. ;O equipamento recebe energia e a entrega para a saída. Dependendo da quantidade, pode operar acima da capacidade, o que provocaria um superaquecimento. Porém, os transformadores têm dispositivos de proteção que impediriam o ocorrido. Outra causa seria um curto-circuito, mas dispositivos de proteção também responderiam ao defeito, impedindo um estrago maior. Por último, essas peças são como carros. Funcionam muito tempo sem manutenção. O problema, normalmente, acontece por falha técnica;, explicou.


Fatalidade

Na ocasião, o incidente matou o eletricista Wilson de Pádua Pires, 54 anos, e feriu o colega dele, José Pereira dos Santos Neto, 58. A explosão aconteceu por volta das 15h de uma quinta-feira e provocou incêndio nas dependências do Ministério dos Esportes. Socorrido por uma equipe de bombeiros, Wilson Pires foi levado para o Hospital de Base, mas não resistiu. Ele sofreu traumatismo craniano e queimaduras. José teve queimaduras nas vias aéreas.



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