Mercosul fica sem comando

Mercosul fica sem comando

postado em 01/08/2016 00:00
 (foto: Federico Parra/AFP )
(foto: Federico Parra/AFP )


O Mercosul começa agosto sem que um dos cinco países-membros esteja na Presidência rotativa do bloco ; pela primeira vez desde a fundação do bloco, há 25 anos. Pelo sistema definido no acordo de fundação, os governos se revezam por ordem alfabética. Segundo esse rodízio, na virada do mês, o Uruguai deveria passar o bastão para a Venezuela. A transmissão, porém, esbarra na resistência aberta dos governos do Brasil e do Paraguai, que invocam como motivo o descumprimento, por Caracas, do prazo determinado para internalizar medidas políticas e econômicas consideradas essenciais para a conclusão do processo de adesão ao bloco.

A despeito da resistência dos dois sócios, que invocam a exigência de consenso para a transferência do comando do bloco, o governo venezuelano comunicou aos demais membros do Mercosul, na noite de sexta-feira, que está iniciando seu período semestral na presidência pro tempore. ;Informamos que, a partir de hoje, a República Bolivariana da Venezuela assumirá com beneplácito o exercício da presidência pro tempore do Mercosul, com fundamento no artigo 12 do Tratado de Assunção e em correspondência com o artigo 5 do Protocolo de Ouro Preto;, diz a carta da chancelaria venezuelana, datada de sexta-feira e enviada às chancelarias dos demais sócios.
Impasse

O pano de fundo do impasse no bloco é a crise em torno da movimentação da oposição venezuelana para convocar um referendo sobre a revogação do mandato do presidente Nicolás Maduro. Na avaliação do ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, expressada em entrevista publicada ontem pelo Correio, o governo chavista ;não dá conta nem da situação interna; e não estaria em condição de conduzir o Mercosul.

À parte as disputas políticas, o país enfrenta também uma aguda escassez de gêneros, decorrência de uma inflação que fechou 2015 com taxa anual de 180% ; para este ano, a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de que o índice chegue a 720%.

Nesse quadro, oito entre 10 venezuelanos apoiam o diálogo entre governo e oposição, e mais da metade opina que a prioridade do país deve ser resolver os problemas econômicos, segundo pesquisa divulgada ontem. No total, 82% dos entrevistados pela empresa Hinterlaces disseram estar de acordo com a ideia de que Maduro e a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) iniciem negociações, enquanto 17% desaprovam a iniciativa.

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