Inversão de valores

Inversão de valores

Apesar da delegação recorde no atletismo %u2014 são 75 competidores %u2014, o Brasil não terá representantes em todas as provas da modalidade e aparece com chance real de conquistar medalha em apenas uma delas, no salto com vara

THIAGO HENRIQUE DE MORAIS Especial para o Correio
postado em 01/08/2016 00:00
 (foto: Johannes Eisele/AFP - 26/8/15)
(foto: Johannes Eisele/AFP - 26/8/15)


O atletismo é a modalidade que distribui o maior número de medalhas dos Jogos Olímpicos. São 47 provas com 141 chances de conquistas. Mas, mesmo sendo sede, o Brasil não terá competidores em todas. Devido à exigência de índice por parte da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), o país ficará fora de 11 disputas. E das 36 em que contará com representantes, a chance real de pódio será em apenas uma.

Apesar da delegação recorde em Olimpíadas ; 75 atletas ;, o atletismo brasileiro não competirá em lançamento de disco, 5.000m e 10.000m, no masculino; e salto triplo, 1.500m, 5.000m, 10.000m, 400m com barreiras, salto em altura, lançamento de martelo e lançamento de dardos, no feminino. Bem diferente dos Estados Unidos, principal potência mundial, que só não terá representantes no arremesso de martelo nem nos 20km da marcha atlética, ambos no masculino.

O retrato já é habitual no Brasil. Desde que começou a disputar os Jogos, em Antuérpia-1920, o país ganhou 14 medalhas no atletismo. A última foi de ouro, da saltadora Maurren Maggi. Nas provas de pista, o triunfo mais recente data de Sydney-2000: a prata no revezamento 4 x 100m masculino. Como resultado desse retrospecto, o Brasil é apenas o 35; no ranking de conquistas olímpicas na modalidade, atrás de Bielorrússia, Bulgária e Noruega, por exemplo.

Tudo isso, sem contar o atraso nos recordes nacionais nas provas de pista. Todos do século passado. Uma das poucas exceções é Ana Claudia Lemos Silva, que alcançou a marca de 11s01, há um ano, nos 100m ; tempo da última colocada na final da categoria em Londres. Nos 100m masculino, Robson Caetano mantém o recorde nacional, com 10s00. Em Londres, Nilson André fez apenas 10s26 e sequer se classificou para as finais.

O país só conseguiu uma vaga nos Jogos do Rio para a prova mais charmosa do atletismo com o tempo de 10s11 (o índice é 10s16), obtido por Vitor Hugo dos Santos, no Troféu Brasil.

Esperança

A perspectiva para estas Olimpíadas não é animadora. A principal aposta do Brasil está no salto com vara, com Fabiana Murer. Mas, por se tratar de uma das provas mais técnicas do atletismo, um dia com vento forte pode atrapalhar a conquista das suas melhores marcas. Ela tentará repetir os 4,87m, conquistados no Troféu Brasil, para pensar em brigar com a cubana Yarisley Silva, dona de três melhores alturas em 2015.

Já no masculino, os resultados não são dos melhores. Thiago Braz conseguiu saltar acima de 5,80m apenas em três oportunidades. O melhor desempenho dele ocorreu em Baku, no Azerbaijão, em 2015: 5,92m, insuficientes para um pódio.

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